Procuradoria pede que executivo continue preso

Procuradoria pede que executivo continue preso

Paulo Roberto Dalmazzo está em custódia preventiva desde 19 de junho, quando foi deflagrada nova fase da Lava Jato

Redação

30 de junho de 2015 | 14h09

Paulo Roberto Dalmazzo. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Paulo Roberto Dalmazzo. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters – 19/06/2015

Por Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

O Ministério Público Federal se manifestou nesta segunda-feira, 29, pela manutenção da prisão preventiva do engenheiro Paulo Dalmazzo, ex-funcionário da Andrade Gutierrez, preso em 19 de junho na deflagração da 14ª fase da Operação Lava Jato. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, havia pedido um posicionamento da Procuradoria, após a defesa de Dalmazzo requerer a revogação da prisão.

“Permanecem incólumes os fundamentos apresentados no decreto prisional para caracterizar os riscos à investigação e à instrução processual”, apontou o MPF em petição. “Presentes a prova da materialidade, os indícios suficientes de autoria e fundamentos configuradores do periculum libertatis, deve ser mantida a prisão preventiva de Paulo Roberto Dalmazzo.”

Dalmazzo foi citado nas declarações do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, e dos executivos Augusto Mendonça e Marcos Berti como um dos executivos da Andrade Gutierrez responsável por representá-la nas reuniões do cartel instalado na estatal petrolífera. O esquema de corrupção e propinas foi desbaratado pela força-tarefa da Lava Jato.

“Ainda, impende mencionar a indicação de Pedro José Barusco Filho acerca da tratativa de Paulo Roberto Dalmazzo e Mario Goes em relação ao pagamento das vantagens indevidas, constando o nome do investigado em planilha de pagamentos de propinas fornecida pelo colaborador”, apontou o Ministério Público Federal.

O executivo prestou depoimento à Polícia Federal na segunda-feira. Ele negou o recebimento de propinas e afirmou que mantinha ‘relação estritamente comercial e profissional’ com Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato e que cumpre prisão domiciliar, e com o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, preso em Curitiba, base da operação.

“Acerca da participação da Andrade Gutierrez em sistema de cartelização visando fraudar ou direcionar as licitações da Petrobrás, afirma que isso jamais ocorreu, argumentando que a Andrade Gutierrez gastava milhões de reais na elaboração de propostas, o que seria incompatível na sua ótica com qualquer esquema de fraude ou cartelização”, disse.

“Da mesma forma afirma que a Andrade Gutierrez jamais praticou sobrepreço, o que resta inviabilizado face a estipulação de um orçamento por parte da Petrobrás, o qual fixa parâmetros máximos e mínimos, excluindo propostas que estejam fora deste parâmetro; que , perguntado se na condição de executivo da Andrade Gutierrez reuniu-se com executivos de outras empresas, afirma que isso ocorria com frequência e em todas as licitações, tendo como intuito a mitigação de risco por meio de parcerias (consórcios).”

O ex-funcionário da Andrade Gutierrez disse ainda não conhecer e nunca ter tratado de qualquer assunto com o doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato. Dalmazzo foi contratado pela Jaraguá Equipamentos em 2013. A companhia pagou R$ 1,9 milhão à MO Consultoria, empresa de fachada do doleiro, em 2011.

“Acerca da prestação de serviços da MO Consultoria para a Jaraguá Equipamentos a mesma era voltada a elaboração de uma “validação final de números” a ser apresentada a Petrobrás por conta de uma licitação; que, nunca viu nenhum documento elaborado pela MO Consultoria asseverando que essa operação teria ocorrido muito tempo antes de seu ingresso na Jaraguá, sendo que apenas reportou o que lhe foi dito”, disse em depoimento.

Tudo o que sabemos sobre:

Andrade Gutierrezoperação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.