Procuradoria pede preventiva para lobista do PMDB

Força-tarefa da Lava Jato quer conversão de prisão para João Henriques, detido temporariamente

Redação

25 de setembro de 2015 | 16h08

Foto: Fábio Motta/Estadão

PF prendeu João Henriques na segunda-feira, 21. Foto: Fábio Motta/Estadão

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Mateus Coutinho

A força-tarefa do Ministério Público Federal pediu nesta sexta-feira, 25, ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, que converta em preventiva a prisão temporária do empresário João Henriques, apontado como lobista do PMDB. João Henriques foi capturado pela Polícia Federal na segunda-feira, 21, na 19ª fase da missão Lava Jato. A custódia temporária vence hoje.

A Procuradoria da República aponta que o lobista do PMDB ‘participou de forma sistemática da corrupção’ na diretoria Internacional da Petrobrás, ‘inclusive operando contas ocultas no exterior, cuja correta localização é ignorada’. Segundo os investigadores, João Henriques teria tido ajuda de seu ex-sócio, Miloud Alain Hassene Daouadji.

Os procuradores suspeitam que a Trend Empreendimentos, controlada por João Henriques e que tinha Miloud Daouadji como sócio até 2008, fosse usada para intermediação de propina. Os investigadores identificaram mais de R$ 20 milhões recebidos pela empresa Trend, tendo como remetentes companhias que possuíam obras com a Petrobrás.

“Ministério Público Federal passa a expor os motivos para a conversão da prisão temporária em prisão
preventiva com fundamento nas novas provas obtidas após: 1) a quebra de sigilo bancário e fiscal de João Augusto Rezende Henriques e Miloud Alain Hassene Daouadji; 2) homologação do acordo de colaboração premiada de Eduardo Musa; 3) provas obtidas com a diligência de busca e apreensão; 4) novo depoimento do investigado prestado a Polícia Federal em 25 de setembro de 2015”, afirmam os procuradores em relatório.

João Henriques prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta. O Ministério Público Federal afirma que o lobista, inicialmente, negou envolvimento com irregularidades. “Diante da documentação apresentada obtida na sua busca e apreensão acabou reconhecendo que operava contas no exterior e que
fazia alguns pagamentos para “amigos” que prefere não declinar os nomes. Trata-se na realidade de uma espécie de confissão parcial e qualificada do investigado. Ele não trata dos fatos na completude e nega as consequências jurídicas ilícitas de sua conduta”, afirmam os procuradores.

No pedido de prisão preventiva de João Henriques, o Ministério Público Federal afirma que na operação de busca e apreensão na casa do lobista foram apreendidas documentos que o ligariam à operação financeira de contas de offshores no exterior. “A principal documentação se refere à offshore First Oil, que firmou inúmeros contratos de agenciamento com empresas que mantiveram avenças com a Petrobrás. A título de exemplo, citem-se a norueguesa Stolt (atual Subsea 7); a Thames International; e a Horizontal Drilling.”

 

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