Procuradoria pede inquérito sobre repasses da Odebrecht a Sandro Mabel

Procuradoria pede inquérito sobre repasses da Odebrecht a Sandro Mabel

Delações de executivos ligados à empreiteira foram remetidas ao Ministério Público Federal em Goiás pelo ministro Edson Fachin e apontam pagamentos ilícitos ao então deputado do PMDB no montante de R$ 240 mil, em 2010

Luiz Vassallo e Julia Affonso

18 de maio de 2017 | 05h00

Sandro Mabel Foto: Joedson Alves/ Estadão

O Ministério Público Federal em Goiás requisitou à Polícia Federal nesta quarta-feira, 17, abertura de inquérito para investigar supostos pagamentos ilícitos, em 2010, por executivos ligados à Odebrecht ao então deputado Sandro Mabel (PMDB-GO).

As informações foram divulgadas no site do Ministério Público Federal.

O ex-deputado teria recebido R$ 100 mil em caixa dois, segundo as delações premiadas dos ex-executivos João Antonio Pacífico Ferreira e Ricardo Roth Ferraz de Oliveira. Os valores foram registrados no sistema Drousys, do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como departamento de propinas da empreiteira.

Neste sofisticado programa eram registrados repasses de caixa dois e propinas a políticos e a partidos.

Já Benedicto Barbosa da Silva Júnior, o ‘BJ’, terceiro na hierarquia do grupo empresarial, relatou que a Odebrecht pagou outros R$ 140 mil ao ex-deputado naquele mesmo ano.

Ao receber a petição do procurador-geral da República Rodrigo Janot para abertura de investigação, o relator da Lava Jato no Supremo, Luiz Edson Fachin, declinou da competência do inquérito e enviou os dados da delação sobre o ex-parlamentar para a 5.ª Vara da Justiça Federal em Goiás.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), há indícios de que Mabel exerceu influência em governos municipais e estadual de Goiás para defender os interesses comerciais da Odebrecht relacionados a obras públicas no estado.

Para o procurador da República Helio Telho Corrêa Filho, responsável pelo caso, os fatos indicam a suposta prática do crime de corrupção. A Polícia Federal tem o prazo de 10 dias para a instauração do Inquérito Policial, que tem por objetivo a obtenção de provas que corroborem as declarações dos colaboradores.

O MPF/GO requisitou, além do depoimento do ex-deputado federal, que sejam ouvidos os colaboradores, ‘com a finalidade de esclarecer melhor os detalhes e as circunstâncias dos pagamentos, bem como o fornecimento de provas ou a indicação dos meios de prova que possam comprovar as declarações’.

COM A PALAVRA, O EX-DEPUTADO SANDRO MABEL

A reportagem entrou em contato com o PMDB, para solicitar resposta a respeito das investigações sobre o ex-deputado. No entanto, não houve retorno. O espaço está aberto para manifestação de Sandro Mabel.

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