Procuradoria pede cassação de Crivella por uso da máquina no ‘Café da Comunhão’

Procuradoria pede cassação de Crivella por uso da máquina no ‘Café da Comunhão’

Ministério Público Eleitoral no Rio acusa prefeito ao TRE por 'abuso de poder político' em encontro realizado no Palácio da Cidade quando ofereceu 'cirurgias de catarata, vasectomia, retirada de varizes e mesmo a facilitação no processo de isenção de IPTU dos imóveis usados por igrejas evangélicas'

Redação

05 Dezembro 2018 | 15h55

Marcelo Crivella, prefeito do Rio. Foto: Fabio Motta/ Estadão

A Procuradoria Regional Eleitoral no Rio pediu ao Tribunal Regional Eleitoral a cassação do prefeito Marcelo Crivella (PRB), por suposto uso indevido da máquina pública e abuso de poder político. Na ação, Crivella é acusado de promover evento usando estrutura do Palácio da Cidade, sede do governo municipal, para beneficiar a candidatura a deputado federal de Rubens Teixeira (PRB). A Procuradoria pediu ainda que o prefeito e Teixeira sejam declarados inelegíveis oito anos, como dispõe a Lei da Ficha Limpa, e condenados a pagar multa.

De acordo com a Procuradoria, no encontro ‘Café da Comunhão’, ausente da agenda oficial, Crivella ofereceu a cerca de 250 presentes ‘diversas vantagens pessoais, como cirurgias de catarata, vasectomia, retirada de varizes e mesmo a facilitação no processo de isenção de IPTU dos imóveis usados por igrejas evangélicas’.

“No convite enviado aos participantes, inclusive, era destacada a presença do então candidato Rubens Teixeira e de diversos outros líderes evangélicos”, assinala a Procuradoria.

Para a Procuradoria, o encontro teve ‘o claro intuito de beneficiar eleitoralmente o grupo político do prefeito, o que prejudicou a igualdade de concorrência entre os candidatos das eleições deste ano’.

“Estamos fazendo o mutirão da Catarata. Eu contratei 15 mil cirurgias até o final do ano (…). Se os irmãos conhecem alguém, por favor, que falem com a Márcia (…). Ela vai anotar, vai encaminhar e, daqui a uma semana ou duas, está operando”, prometeu Crivella, como atesta gravação do jornal O Globo.

“Tais medidas são necessárias ante a gravidade dos fatos desencadeados diretamente por aqueles que têm o dever de zelar pelo cumprimento das leis”, argumentou o procurador regional eleitoral Sidney Madruga no pedido de cassação e inelegibilidade dos acusados.

COM A PALAVRA, CRIVELLA

Sobre a decisão do MP Eleitoral, a prefeitura do Rio vem prestar os seguintes esclarecimentos:

1) O Prefeito recebeu com tranquilidade a informação e se coloca à disposição para prestar os devidos esclarecimentos. Esta é uma acusação que tem um cunho político;

2) Este encontro estava previsto na agenda do Prefeito e as audiências como a ocorrida fazem parte da rotina política do Chefe do Poder Executivos. É dever de todo servidor público orientar os cidadãos sobre a forma de acessar os serviços públicos. Todos os esclarecimentos serão prestados assim que for recebida a notificação.

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