Procuradoria pede bloqueio de R$ 20,7 mi de agente da PF e sua empresa

Mateus Coutinho

10 de abril de 2014 | 18h57

Já aposentado, policial não teria explicado incompatibilidade entre seu salário e seus bens declarados à Receita Federal

por Mateus Coutinho

Treze imóveis, incluindo dois prédios, quatro veículos, uma aeronave e uma lancha, estes são alguns dos bens de um agente da Polícia Federal acusado de improbidade pela Procuradoria da República em São Paulo.

O Ministério Público Federal entrou com uma ação de improbidade administrativa pedindo liminarmente a indisponibilidade dos bens do agente aposentado Jamil Abdallah Ismael Rima e sua empresa no valor de R$ 20,7 milhões. O pedido serve para que os recursos fiquem à disposição da Justiça caso os réus sejam condenados e tenham que pagar multas, por exemplo.

Segundo o Ministério Público Federal, Abdallah teria um patrimônio de mais de R$ 5 milhões, o que seria incompatível com seus vencimentos da época em que trabalhava na PF. O salário inicial de agente da Polícia Federal, com formação superior, é de R$ 7.887,33, incluindo o vencimento básico de 7.514,33 e auxílio alimentação de R$ 373.

O órgão aponta ainda que, Abdallah e sua mulher recebiam anualmente R$ 174.100 juntos. No entanto, o patrimônio declarado do casal e da empresa Comercial Abdallah Rima Ltda, da qual o agente aposentado é sócio-proprietário, entre 2003 e 2004 passava de R$ 3,6 milhões.

Na ação a Procuradoria ainda pede: a perda dos bens e valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio do réu e o pagamento de multa civil de três vezes o valor desse montante. O MPF também pediu que o agente perca a função pública e seja proibido de contratar com o Poder Público ou dele receber benefícios e incentivos fiscais por dez anos, além da suspensão de seus direitos políticos pelo mesmo prazo.

O Núcleo de Disciplina da PF em São Paulo – responsável por apurar faltas funcionais de seus servidores – afirmou não ter sido notificada sobre a ação do MPF. Diante disso, a Polícia Federal não vai se manifestar sobre o caso.

Abdallah não foi encontrado para comentar o caso.

 

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