Procuradoria pede absolvição de Youssef

Solicitação do Ministério Público Federal em uma das 6 ações contra o doleiro ocorre em meio ao acordo de delação premiada

Redação

27 de setembro de 2014 | 05h00

Por Mateus Coutinho e Fausto Macedo

O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta sexta-feira, 26, a absolvição do doleiro Alberto Youssef de uma das 6 ações da Operação Lava Jato na qual ele é réu. O pedido foi feito em alegações finais da ação penal que acusa o doleiro e outras três pessoas de lavagem e evasão de U$S 124 mil provenientes do tráfico de drogas.

A solicitação da Procuradoria ocorre em meio à negociação com o doleiro que vai fazer delação premiada a partir da próxima semana. Ele quer se livrar dos processos e obter redução de pena. A defesa já deu o primeiro passo para o acordo ao desistir de habeas corpus e outros recursos contra a investigação.

“Em que pese demonstrada a autoria do denunciado Youssef em relação ao fato típico que lhe foi imputado, não há suficiente comprovação de seu dolo no específico caso dos autos, pelo que a absolvição é a medida de maior justiça em relação a ele”, afirma a Procuradoria.

Foto: Geraldo Magela/Estadão - 30.01.2006

Foto: Geraldo Magela/Estadão – 30.01.2006

Youssef foi citado como réu no processo pois U$S 36 mil dos U$S 124 mil que foram lavados, segundo o MPF, foram entregues em dinheiro no escritório do doleiro. Apesar disso, os procuradores assinalam que Youssef não apareceu em nenhum outro momento da negociação envolvendo a operação de lavagem.

Todo o processo, aponta a Procuradoria, foi conduzido por quatro pessoas, dentre elas um dos sócios de Youssef, Carlos Habib Chater, um dos doleiros alvo da Lava Jato.

“Diferentemente do que ocorreu em relação a (Carlos) Chater, não se demonstrou qualquer envolvimento de Youssef em outras fases da negociação, comandada de ponta a ponta por Chater, Rene (Luiz Pereira), Sleiman (Nassim El Kobrossy) e Evi (apelido de Maria de Fátima Stocker), e nem sequer um contato relacionado ao caso dos autos com qualquer um dos últimos três, muito menos qualquer menção por eles feita ao réu indicando o destino dos valores”, relata o MPF.

Tráfico internacional. De acordo com a denúncia do MPF, Rene e Salim, seriam membros de uma organização de tráfico internacional comandada por Evi, e entraram em contato com Chater para lavar os U$S 124 mil oriundos da Europa e depositar o dinheiro em contas no exterior para o pagamento de drogas da Bolívia.

O foco da ação são apenas as operações para lavagem e evasão do dinheiro, da qual são réus Chater, seu subordinado André Catão de Miranda, Rene e Youssef, que agora o MPF considera não ter participado do episódio específico.

Para Carlos Habib, o Ministério Público Federal pediu 12 anos e 1 mês de prisão pelos os crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Pelos mesmos delitos, a Procuradoria da República pede 9 anos e 6 meses de prisão para André Catão.

Já para Rene Pereira, o MPF pede a pena de 28 anos e 9 meses de prisão, pois além dos crimes de lavagem e evasão ele é acusado de tráfico de drogas e de associação ao tráfico de drogas. Segundo a denúncia, ele fazia parte de uma organização internacional de tráfico de drogas, sendo responsável pelo contato com os traficantes de outros países e por indicar em quais contas deveriam ser depositado o dinheiro oriundo da lavagem durante toda a negociação.

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