Procuradoria pede a Moro homologação de delação de 3 empresários

Procuradoria pede a Moro homologação de delação de 3 empresários

Em depoimento, Vinicius Borin, um dos delatores ligou a Odebrecht a contas no exterior

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

19 de junho de 2016 | 04h00

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

A Procuradoria da República pediu na sexta-feira, 17, ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, que homologue a delação premiada de três empresários: Vinicius Veiga Borin, Luiz Augusto França e Marcos Pereira de Sousa Bilinski. O pedido é dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato. Em depoimento, Vinicius Borin ligou a Odebrecht a contas no exterior.

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De acordo com o Ministério Público Federal, ‘apenas o colaborador Vinicius Veiga Borin prestou depoimento, cujo único termo segue anexo, sendo que os demais colaboradores prestarão depoimento somente após o dia 22 de junho de 2016, versando praticamente sobre os mesmos temas tratados por Vinicius Veiga Borin, contudo abordarão detalhes mais vinculados às áreas em que atuavam e a função que exerciam’.

“Tal acordo foi celebrado com a finalidade de obtenção de provas no interesse das investigações decorrentes da denominada Operação Lava Jato, sobretudo para o desvelamento de agentes e partícipes responsáveis, estrutura hierárquica, divisão de tarefas e rimes praticados por organizações criminosas envolvidas em crimes de corrupção e lavagem de ativos, tendo como principal vítima a Petrobrás”, afirmam os procuradores.

Em seu único depoimento até agora, Vinicius Borin contou que trabalhou em ‘diversas’ instituições bancárias, entre elas Antígua Overseas Bank (AOB), entre 2006 e 2010, e citou o executivo Olívio Rodrigues Júnior, ligado à Odebrecht.

“Olivio explicou na época ao declarante que trabalhava para o Grupo Odebrecht e que teria que abrir contas para fazer movimentação financeira das obras da companhia no exterior; que Olivio explicou ainda que as contas eram necessárias exclusivamente em razão das obras da Odebrecht no exterior; que inclusive o compliance da AOB veio ao Brasil mais de uma vez fazer visitas na sede da empresa e em obras da Odebrecht”, relatou.

O delator prosseguiu. “No começo o depoente achava que a finalidade de abrir offshores, cujo beneficiário era Olivio, um terceiro, e não a Odebrecht, a própria companhia proprietária do dinheiro e ativos da conta, era por questões de planejamento tributário, mas hoje entende melhor a razão disso. Melhor explicando, hoje, com a Operação Lava Jato em curso, fazendo uma memória retrospectiva, o depoente percebe que as transações não eram com fornecedores ou em razão das obras da Odebrecht; que o depoente não pode afirmar que 100% dos pagamentos eram ilícitos ou não se referiam a fornecedores ou relativos a obras da companhia, mas sim que grande parte deles sim.”

Vinicius Borin afirmou que ‘percebeu isso em decorrência da experiência, bem como porque com o passar do tempo, com contato pessoal com Olivio, percebeu que o dinheiro vinha de outras empresas offshores controladas pela própria Odebrecht, e não de fornecedores ou obras, embora não saiba se a origem do dinheiro advenha de obras’.

 

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