Procuradoria pede 7 anos de prisão para Geddel por ’embaraço a investigação’

Procuradoria pede 7 anos de prisão para Geddel por ’embaraço a investigação’

Em alegações finais, Ministério Público Federal afirma que 'pressões exercidas veladamente' pelo ex-ministro 'fizeram Lúcio Funaro recuar (temporariamente) no propósito de colaborar'

Luiz Vassallo e Fabio Serapião

09 Fevereiro 2018 | 19h01

Geddel em sua primeira audiência de custódia, quando foi preso por suposta pressão para evitar que o doleiro Lúcio Funaro firmasse acordo com a Procuradoria para confessar seus crimes. Foto: Reprodução de vídeo da 10ª Vara Federal de Brasília

A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu, em alegações finais, a pena de 7 anos de prisão para o ex-ministro Geddel Vieira Lima por ’embaraço a investigação’. Segundo o Ministério Público Federal, o emedebista tentou evitar que o doleiro Lúcio Funaro firmasse acordo de delação premiada. O caso, investigado na Operação Cui Bono?, levou Geddel pela primeira vez à para a prisão, em julho de 2017, antes da descoberta do bunker dos R$ 51 milhões.

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“Aqui está, portanto, o dolo de Geddel em atrapalhar as investigações, pois as sondagens e pressões exercidas veladamente por Geddel Quadros Vieira Lima fizeram Lúcio Funaro recuar (temporariamente) no propósito de colaborar informalmente com as investigações, em razão do ambiente hostil no qual estava inserido, em todo o contexto de organização criminosa”, afirmam os procuradores.

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Na denúncia contra Geddel, o MPF sustenta que, após a prisão de Funaro, o ex-ministro monitorou e constrangeu a mulher do corretor, Raquel Pitta, com a intenção de “influenciá-lo” a não colaborar com as investigações referentes às operações Cui Bono e Sépsis, que tratam de desvios na Caixa.

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O ex-ministro, que antes não mantinha contato com a mulher de Funaro, teria passado a fazer insistentes ligações para ela, especialmente nas sextas-feiras, dia de vem visitava o marido na prisão. Muitas vezes, os telefonemas eram no período da noite, a propósito de perguntar sobre o “estado de ânimo” de Funaro.

Por meio de seu advogado, Bruno Espiñeira, Funaro fez chegar à PF ‘impressos de ligações’ recebidas por Raquel via WhatsApp. As ligações foram feitas por um certo ‘Carainho’, que, segundo os investigadores, é Geddel.

Em audiência de custódia, quando foi preso pela primeira vez e chorou, de cabeça raspada, em frente às câmeras da 10ª Vara Federal. Na ocasião, ele negou obstrução, mas admitiu mais de dez ligações com a mulher do doleiro.

“Acabei de dizer que nesta ligação se tratou exatamente: ‘como vai você?’, porque é o mínimo. ‘Sua família está bem?’ Não se tratou de marido dela, de esposo dela, nada disso”, afirmou Geddel.

Questionado a respeito de quantas ligações fez a Raquel Pitta, esposa de Funaro, o ex-ministro relatou que conversou com ela ‘mais de dez vezes’. Sempre, segundo o peemedebista, o teor era o mesmo: “Isso: ‘Como vai? Tudo bem?’ Ela me ligava”.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem entrou em contato com a defesa do ex-ministro. O espaço está aberto para manifestação.

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