Procuradoria ouve doleiro da Lava Jato sobre campanha de Beto Richa

Procuradoria ouve doleiro da Lava Jato sobre campanha de Beto Richa

Alberto Youssef, preso desde março de 2014, foi questionado se pode colaborar com investigações sobre esquema de desvios na Receita Estadual, em Londrina, e reeleição do tucano

Redação

09 de julho de 2015 | 17h12

Beto Richa. Foto: Joka Madruga/ Futura Press

Beto Richa. Foto: Joka Madruga/ Futura Press

Atualizada às 18h21

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Talita Fernandes, Brasília, Julia Affonso

O doleiro Alberto Youssef, pivô do escândalo da Petrobrás preso desde março de 2014 pela Operação Lava Jato, foi ouvido na manhã desta quinta-feira, 9, pela Procuradoria Geral da República sobre o suposto esquema de desvios no Paraná que podem ter relação com o governador do Estado, Beto Richa (PSDB).

Youssef é ouvido por representante da PGR, em Curitiba, onde está preso. Há duas semanas o doleiro, acusado de operar a lavanderia de dinheiro do PP no esquema de corrupção na Petrobrás, foi sondado por promotores de Justiça do Estado e por equipes federais para saber se ele poderia colaborar com informações sobre o escândalo de desvios no Paraná.

Alberto Youssef está preso desde março de 2014. Foto: Vagner Rosario/Futura Press

Alberto Youssef está preso desde março de 2014. Foto: Vagner Rosario/Futura Press

O Ministério Público investiga a ligação entre fraudes na Receita do Estado, dentro da Operação Publicano, e a campanha à reeleição do governador Beto Richa em 2014. Auditor fiscal suspeito de integrar o esquema que atuava no fisco paranaense, Luiz Antônio de Souza afirmou em delação premiada que ele e seus colegas arrecadaram até R$ 2 milhões para a reeleição do tucano no ano passado, via caixa 2.

Segundo o delator, os auditores que atuavam na Receita de Londrina, cidade do norte do Paraná, reduziam ou anulavam as dívidas tributárias de empresas em troca das contribuições. Ainda segundo o depoimento de Souza, um ex-inspetor-geral de fiscalização da Receita coordenava o esquema sob as ordens do empresário Luiz Abi Antoun, primo de Richa e figura influente na gestão tucana.

Abi Antou foi preso na segunda fase da Operação Publicano. Por meio de seu advogado, Antônio Carlos Coelho Mendes, ele tem negado envolvimento nas irregularidades.

No mês passado, o ministro João Otávio Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), havia negado pedido do governador para levar à Corte Superior um caso em tramitação na Justiça Federal em Londrina-PR e que supostamente pode envolver o tucano.

A defesa de Richa pediu suspensão das investigações na Justiça do Paraná, argumentando que o caso seria de competência do STJ, instância na qual governadores têm prerrogativa de foro, de acordo com a Constituição Federal.

O caso Publicano corre na 3ª Vara Criminal de Londrina, com investigações iniciadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público Estadual do Paraná.

A defesa de Youssef não foi localizada para comentar o caso.

Na ocasião em que a delação foi revelada, a direção estadual do PSDB emitiu uma nota oficial na qual afirmou que “refuta de forma veemente as declarações do sr. Luiz Antonio de Souza”. “O partido ressalta ainda que todas as doações para a campanha do governador Beto Richa ocorreram dentro da legalidade e foram realizadas voluntariamente, sendo registradas e atestadas pelo Comitê Financeiro. As contas foram apresentadas e aprovadas integralmente pela Justiça Eleitoral”, afirmava a nota.

COM A PALAVRA, O GOVERNO DE BETO RICHA

“O Governo do Estado do Paraná tem o maior interesse na apuração das denúncias de corrupção na Receita Estadual. Diversas ações já foram tomadas com a prisão de servidores como resultado das operações em andamento coordenadas pelo Ministério Público. Até agora foram afastados 53 servidores ativos, seja por prisão ou por ordem judicial, sob a acusação de crime contra a administração pública. Além do afastamento das funções de auditoria, os servidores que exerciam cargos em comissão foram destituídos dos respectivos postos. Desde março, uma força-tarefa criada na Receita Estadual faz a revisão dos trabalhos dos auditores que são alvo de investigação. O prazo de execução da mesma foi prorrogado em maio e, no fim de julho, deverão ser apresentados os resultados do trabalho, que subsidiarão os processos administrativos disciplinares e poderão levar a demissão dos funcionários comprovadamente envolvidos em irregularidades. No dia 8 de julho foi publicado no Diário Oficial do Paraná a portaria 180/2015, que criou uma nova força-tarefa, com 28 auditores, para revisar os procedimentos de fiscalização de 50 empresas citadas na Operação Publicano 2. Foi estabelecido um prazo de 60 dias para as revisões. Além dessas ações, foi aberto um canal para denúncias no site da Secretaria de Estado da Fazenda.”

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