Procuradoria notifica rádio por alusão a assassinato de homossexuais

Procuradoria notifica rádio por alusão a assassinato de homossexuais

Ministério Público Federal recomendou à uma emissora do município de Santa Fé do Sul, a 630 quilômetros de São Paulo, que disponibilize conteúdo de combate à discriminação LGBT em sua programação

Pedro Prata, especial para o Estado

02 Novembro 2018 | 06h00

Foto: Pixabay

O Ministério Público Federal recomendou a uma emissora de rádio do interior de São Paulo que veicule inserções voltadas ao combate à discriminação LGBT. A medida foi tomada após um locutor da rádio Santa Fé, do município de Santa Fé do Sul, aludir ao assassinato de homossexuais.

Santa Fé do Sul é uma pequena cidade de cerca de 32 mil habitantes, situada a 630 quilômetros de São Paulo, na região de São José do Rio Preto.

No documento, o Ministério Público Federal alertou a emissora para não mais vincular ‘expressões discriminatórias contra grupos minoritários que possam caracterizar o exercício abusivo da liberdade de expressão’.

A recomendação se refere a comentários do locutor Edson Ferreira no programa Bastidores da Notícia. O apresentador comentava uma cena com beijo gay exibida numa telenovela. Ele fez comentários pejorativos com relação aos atores e, também, aos telespectadores.

“O filho da p***filha negro, que poderia honrar o que os negros fizeram por nós, se sujeita a fazer um papel daquele (de homossexual), entende?”, disse Ferreira. “Quem assiste um negócio desse é merda”.

Ainda, fez alusão à morte de homossexuais. “A gente não pode falar que tem que matar no ninho porque é crime. Mas que está crescendo demais, está”. E completou: “Vai chegar uma hora em que você vai ter que matar um para falar ‘Meu filho, não’”.

O Ministério Público Federal recomendou à rádio que disponibilize pelo prazo de 30 dias corridos, em dez inserções de um minuto e meio, uma programação voltada aos direitos humanos, conferindo espaço aos grupos discriminados. O material deverá ser produzido pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, do Rio de Janeiro.

COM A PALAVRA, A RÁDIO SANTA FÉ

O Estado entrou em contato com a rádio, mas não obteve um posicionamento oficial até o momento de publicação desta matéria. O espaço está aberto para manifestação.

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