Procuradoria no Amazonas nega ter recebido dossiê sobre assassinato do indigenista Maxciel Pereira dos Santos

Procuradoria no Amazonas nega ter recebido dossiê sobre assassinato do indigenista Maxciel Pereira dos Santos

Morto a tiros em 2019, Santos era servidor da Funai e atuava no Vale do Javari ao lado do indigenista Bruno Pereira

Rayssa Motta

25 de junho de 2022 | 22h09

Familiar de Maxciel Pereira, ativista ambiental e colaborador da Funai assassinado em 2019; dossiê aponta que crime teve mandante. Foto: Wilton Junior/Estadão

O Ministério Público Federal (MPF) negou neste sábado, 25, ter recebido qualquer dossiê sobre o assassinato do indigenista Maxciel Pereira dos Santos. O crime aconteceu em setembro de 2019 em Tabatinga, no Amazonas, e até hoje não foi esclarecido. Amigos e familiares fizeram uma investigação independente e dizem que as informações reunidas foram consolidadas em um documento entregue à Polícia Federal (PF) no início do ano passado. A conclusão foi a de que a morte teria sido encomendada por uma rede de narcotraficantes, pescadores ilegais e garimpeiros que atuam na região.

Em nota, o MPF disse que “vem acompanhando as investigações desde a instauração do inquérito” pela PF e que “não consta nos autos nenhum dossiê entregue por familiares ou quaisquer documentos dessa natureza”. “Portanto, o MPF não tem conhecimento do referido dossiê”, afirma o órgão.

Maxciel era servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai) e foi morto com dois tiros na cabeça. Familiares do indigenista acreditam que o mesmo grupo que o matou está por trás dos assassinatos do também indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, no último dia 5, em Atalaia do Norte.

Investigações

O comunicado do MPF diz ainda que, desde 2020, o órgão respondeu dez ofícios da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) sobre crimes na região. “Todos os ofícios recebidos no MPF foram autuados e deram origem a procedimentos administrativos cíveis e criminais ou inquéritos policiais, instaurados para apurar as situações relatadas pela Univaja”, informa o Ministério Público

De acordo com o MPF, os procedimentos em curso investigam a presença de garimpeiros, missionários, pescadores, caçadores e desmatadores no Vale do Javari. Veja as suspeitas:

  • Presença de garimpeiros e missionários em área de ocupação de indígenas isolados no Vale do Javari;
  • Atuação ilegal de balsas de garimpo no interior da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Cujubim, no rio Curuena;
  • Desmatamento no igarapé Limão, área sul da terra indígena Vale do Javari;
  • Desmatamento e instalação irregular de linha de transmissão de energia elétrica no interior da terra indígena Mawetek;
  • Invasão de garimpeiros na aldeia Jarinal;
  • Pescadores e caçadores nos rios Ituí e Itaquaí.

O Ministério Público Federal afirma que em reuniões com a Univaja, inclusive na sede da organização, “foram prestadas diversas informações sobre as atuações em andamento”.

“O MPF reforça o compromisso com a defesa das garantias constitucionais dos povos indígenas e o combate à criminalidade no Amazonas, inclusive ambiental, por meio dos diversos instrumentos judiciais e extrajudiciais disponíveis à instituição”, conclui o texto.

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