Procuradoria nega haver negociação de delação com Odebrecht e ataca comunicado

Procuradoria nega haver negociação de delação com Odebrecht e ataca comunicado

Depois de presidente afastado da maior empreiteira do País divulgar publicamente, nesta terça-feira, 22, que busca delação premiada com a Lava Jato, força-tarefa em Curitiba diz que 'acordos de leniência e de colaboração premiada somente são possíveis com o completo desvelamento, por parte dos envolvidos, dos fatos criminosos que já são investigados, além da revelação plena de outras ilegalidades'

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

23 de março de 2016 | 17h43

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

O Ministério Público Federal, em Curitiba, divulgou nota nesta quarta-feira, 23, em que nega a existência negociação de acordo de colaboração premiada com executivos do Grupo Odebrecht e que “a simples intenção demonstrada não tem o condão de descaracterizar a contínua ação” da empresa “em obstruir as investigações em andamento” dentro da Operação Lava Jato

[veja_tambem]

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DO MPF EM CURITIBA

“O Ministério Público Federal, diante da nota emitida pelo Grupo Odebrecht em 22 de março de 2016, bem como da sua repercussão na imprensa, vem esclarecer:

1. não existe sequer negociação iniciada sobre acordos de colaboração com executivos ou leniência com o Grupo Odebrecht;

2. a simples manifestação dessa vontade pela imprensa, seja por indivíduos, seja por qualquer grupo empresarial investigado, não possui qualquer consequência jurídica, motivo pelo qual as investigações e atos processuais continuarão em andamento;

3. a divulgação de qualquer intenção de acordo através de imprensa fere o sigilo das negociações exigido pela lei para a celebração do acordo;

4. a simples intenção demonstrada não tem o condão de descaracterizar a contínua ação do Grupo Odebrecht em obstruir as investigações em andamento, como ficou caracterizado na recente 26ª fase da Operação Lavajato, com a tentativa de destruição de seu sistema de controle informatizado de propina;

5. o Ministério Público Federal mantém o entendimento de que acordos de leniência e de colaboração premiada somente são possíveis com o completo desvelamento, por parte dos envolvidos, dos fatos criminosos que já são investigados, além da revelação plena de outras ilegalidades que tenham cometido e que ainda não sejam de conhecimento das autoridades, e da reparação mais ampla possível de todas essas ilegalidades.”

 

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