Procuradoria não libera depoimentos de agente da PF a Anastasia

Advogados de senador eleito pelo PSDB de Minas pediram acesso aos relatos de Jayme Careca que teria dito ter levado R$ 1 milhão para o político

Redação

29 de janeiro de 2015 | 19h34

Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

O Ministério Público Federal se opôs ao pedido do senador eleito Antonio Anastasia (PSDB-MG) para ter acesso aos depoimentos do agente da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Jayme Careca, apontado como “entregador de malas de dinheiro” a políticos a mando do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Operação Lava Jato.

Os procuradores da República Roberson Henrique Pozzobon e Deltan Martinazzo Dallagnol, que integram a força tarefa da Lava Jato, se manifestaram pelo “indeferimento” do pedido de Anastasia “posto que o depoimento de Jayme faz menção a pessoas com prerrogativa de foro em decorrência da função que exercem”. Eles assinalam que é necessário prévio exame do Supremo Tribunal Federal, instância judicial que detém competência exclusiva para investigar deputados e senadores.

Antonio Anastasia. Foto: Fábio Motta/Estadão

Antonio Anastasia. Foto: Fábio Motta/Estadão

Os advogados do senador pediram no dia 13 à Justiça Federal no Paraná autorização para acesso aos relatos do policial que teria dito que entregou R$ 1 milhão a Anastasia. A defesa sustenta que a declaração de Jayme Careca é uma “irresponsável insinuação”. O político nega ter recebido dinheiro do agente, que é réu na Lava Jato e foi afastado de suas funções na PF por integrar o grupo de “mulas” do doleiro.

O próprio doleiro Alberto Youssef, por meio de seu advogado, Antonio Figueiredo Basto, negou qualquer participação de Anastasia no episódio. Youssef fez delação premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na delação, o doleiro não citou Anastasia.

No pedido entregue à Justiça, o senador já havia negado ter recebido valores do doleiro Youssef e desafiou o policial federal para uma acareação. Tabela apreendida pela Polícia Federal em um escritório de Youssef indica que o policial federal fez ao menos 31 entregas de dinheiro vivo entre 2011 e 2012. O valor distribuído chegou a R$ 16,9 milhões.

No dia 13 deste mês, a defesa do doleiro Alberto Youssef protocolou na Justiça Federal do Paraná uma petição na qual nega ter sido mandante de entrega de dinheiro ao senador eleito e ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia (PSDB-MG) e ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na petição, os advogados de Youssef afirmam que ele “rechaça a alusão ao seu nome, como pretenso mandante de qualquer entrega a Anastasia, negando terminantemente a inverídica notícia propalada na imprensa. O mesmo se diga em relação a Eduardo Cunha, com quem Alberto Youssef igualmente nunca teve qualquer relação”.

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