Procuradoria mantém pedido de prisão de cunhada de Vaccari

Defesas de Marice Correa Lima e sua irmã Giselda informaram à Justiça ser ela quem aparece em imagens de banco fazendo depósitos em março

Redação

23 de abril de 2015 | 05h00

Por Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato mantiveram pedido de permanência em prisão da cunhada de João Vaccari Neto, mesmo que perícia comprove que não é ela quem aparece nas imagens de câmeras de segurança de bancos fazendo depósitos na conta da irmã Giselda Rousie de Lima, esposa do ex-tesoureiro do PT, de forma fracionada e não identificada.

Marice Corrêa Lima – acusada de ser auxiliar de Vaccari na lavagem e ocultação de valores – foi identificada na segunda-feira, 20, pelo Ministério Público Federal como a pessoa que pode ter feito depósitos “picados” para a irmã – considerados formas de ocultar o rastreamento de dinheiro ilegal. Imagens dos bancos mostram uma mulher que seria Marice.

VEJA UM DOS VÍDEOS DOS DEPÓSITOS NO BANCO UTILIZADOS PELO MPF:

“(O banco) identificou registros videográficos de dois depósitos fracionados, com valor abaixo de R$ 10.000,00, realizados por uma ‘pessoa do sexo feminino, aparentando mais de 50 anos de idade, comparece às agências 4836 e 1685, ambas desta instituição financeira, no intuito de realizar depósitos em espécie, por meio de caixa de autoatendimento, em benefício da conta titulada por Giselda Rouse de Lima'”, registrou a força-tarefa da Lava Jato, no pedido de prisão de Marice, na segunda-feira, 20.

“Analisando as imagens do vídeo, tudo indica que Marice Corrêa Lima foi a pessoa responsável por tais depósitos.”

VEJA MAIS UM VÍDEO DOS DEPÓSITOS FEITOS NA CONTA DE GISELDA:

Explicação. Nesta quarta-feira, 22, a esposa de Vaccari informou à Justiça Federal, via defesa, que é ela quem aparece nas imagens obtidas pelo MPF, anexadas ao pedido de prisão.

O MPF pediu que a prisão temporária de cinco dias fosse convertida em preventiva (sem prazo determinado), mas o juiz federal Sergio Moro – que conduz os processos da Lava Jato – decidiu prorrogar por mais cinco dias a medida cautelar.

Antes mesmo de apresentar documento à Justiça, no fim da tarde, a defesa da mulher de Vaccari havia tornado público a suposta confusão, o que fez com que Moro solicitasse no processo que o MPF e a Polícia Federal (PF) esclarecessem quem aparecia nas imagens.

“Eu, Giselda Rousie de Lima (…) reconheço-me efetuando depósitos em caixa eletrônico do Banco Itaú”, diz trecho da declaração entregue à Justiça. Segundo Giselda, as agências em que os depósitos foram feitos ficam próximas à residência e ao trabalho dela, em São Paulo.

Prisão mantida. Após o pedido de esclarecimento feito pelo juiz Sérgio Moro, o MPF protocolou uma petição no processo em que informava que a Polícia Federal faria uma “perícia audiovisual” nos vídeos e imagens para identificar a pessoa. Conforme os procuradores, mesmo que os trabalhos apontassem que, de fato, se trata de Giselda, e não Marice, existiam outros indícios que sustentariam a conversão da prisão dela em preventiva.

“Ainda que a perícia conclua que se trata de Giselda Lima em vez de Marice Correa Lima, o que se admite somente para argumentar, o MPF entende que os demais fundamentos expostos (anteriormente) são suficientes para a conversão da prisão preventiva de Marice. Em razão disso tudo, o MPF reitera o pedido de conversão da prisão temporária em prisão preventiva de Marice”, registram os procuradores.