Procuradoria manda para Fachin delação de Funaro

Procuradoria manda para Fachin delação de Funaro

Janot encaminha ao ministro do Supremo colaboração premiada de corretor, cujas informações podem ser usadas em eventual nova denúncia contra Temer

Beatriz Bulla e Fabio Serapião, de Brasília

29 Agosto 2017 | 17h09

Lúcio Funaro. Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO

A delação do operador financeiro Lúcio Funaro chegou nesta terça-feira, 29, ao gabinete do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Cabe ao relator da Lava Jato na Corte decidir se homologa ou não o acordo de Funaro com a Procuradoria-Geral da República. Só depois que os termos forem homologados, o Ministério Público poderá usar as informações prestadas pelo operador para realizar investigações. O acordo foi firmado com a PGR porque Funaro citou nos depoimentos autoridades com foro privilegiado.

Funaro detalhou sua atuação como operador financeiro do PMDB da Câmara dos Deputados, grupo político liderado pelo presidente Michel Temer. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve usar informações prestadas por Funaro em uma eventual segunda denúncia contra o presidente. Temer foi acusado de corrupção passiva pelo procurador, mas a Câmara rejeitou a denúncia. O presidente, no entanto, ainda é investigado por suspeita de obstrução da Justiça e organização criminosa.

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A delação de Funaro deve trazer informações também sobre os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba.

Antes de embarcar para a China, onde participa da cúpula do Brics, Temer gravou um vídeo em que afirmou ter “força necessária para resistir”. Ele não citou o nome de Janot, mas afirmou que “tem gente que quer parar o Brasil, e esse desejo não tem limites”. No Congresso, a preocupação da base com a eventual chegada de uma segunda denúncia volta a ser a escolha de um relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Trâmite. A expectativa é de que Fachin homologue o acordo. Antes disso, o ministro deve convocar Funaro. O delator precisa confirmar a um juiz auxiliar do ministro que firmou o acordo de delação de forma espontânea. O procedimento costuma ser breve no gabinete de Fachin e investigadores da Lava Jato esperam que o acordo seja confirmado até o fim desta semana ou, no mais tardar, no início da semana que vem. O conteúdo da delação é mantido em sigilo.

O acordo foi assinado há uma semana na sede da PGR, em Brasília. Depois disso, o operador financeiro passou a prestar depoimentos aos investigadores.

Funaro relatou como políticos do PMDB atuavam em órgãos públicos sob o controle de seus integrantes. Ele já foi alvo de duas operações (a Sépsis e a Cui Bono?) e está preso. A primeira operação apura sua atuação no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FI-FGTS, e a segunda investiga sua influência na Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa durante a gestão de Geddel Vieira Lima.

Estão na mira dessas duas investigações grandes grupos econômicos como a holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e as empresas da família Constantino, dono da Gol Linhas Aéreas. Só do Grupo J&F, segundo planilha entregue por Joesley em sua delação, Funaro recebeu cerca de R$ 170 milhões nos últimos anos. O corretor detalhou o histórico da sua relação com a família Batista.