Procuradoria liga problema em cargueiro da FAB a falta de oxigênio no Amazonas

Procuradoria liga problema em cargueiro da FAB a falta de oxigênio no Amazonas

Em ação na Justiça Federal, procuradores destacaram que, em reunião com outros órgãos, a Força Aérea Brasileira ficou responsável pelo transporte dos cilindros

Felipe Frazão / BRASÍLIA

14 de janeiro de 2021 | 21h48

A Procuradoria da República no Amazonas vinculou problemas de funcionamento numa aeronave Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira, que fazia o transporte dos cilindros de oxigênio de outros Estados, ao fim do estoque disponível para os hospitais de Manaus e do interior. A falta de oxigênio levou a mortes por asfixia de pacientes com covid-19 internados. O colapso do sistema levou doentes a serem transferidos às pressas para outras regiões do País.

Os procuradores destacaram que, em reunião com outros órgãos, a FAB ficou responsável pelo transporte dos cilindros de oxigênio líquido, ‘em razão das peculiaridades no transporte desse tipo de insumo, que é inflamável e volátil, demandando, quando por via aérea, que a aeronave utilizada seja do modelo do qual só a FAB dispõe no País’.

“Todavia, na manhã de hoje (14 de janeiro de 2020), a informação obtida pelos canais informais de controle foi de que a aeronave em questão apresentou problemas que necessitam de reparos, de modo que houve uma paralisação no fluxo emergencial de fornecimento do oxigênio, culminando na situação atual e notória da falta do insumo nas unidades de saúde de Manaus e do interior do Amazonas”, reportaram à Justiça Federal.

Pacientes com covid-19 no Amazonas foram transferidos a outros Estados. Foto: Bruno Kelly/ Reuters

Os procuradores cobraram uma solução por parte do governo federal e disseram que as Forças Armadas têm ‘suficiente aparato logístico para tornar possível a imediata regularização da oferta medicinal, seja pelo reparo da aeronave em questão, seja pela utilização de outra’. Eles também sugeriram a ‘possibilidade de se socorrer às vias diplomáticas para apoio logístico’, o que seria feito junto à Embaixada dos EUA. A ação civil foi protocolada na 1ª Vara Federal, em Manaus, tendo sido assinada também pela Defensoria Pública da União, Ministério Público do Amazonas, Defensoria Pública do Amazonas e Tribunal de Contas do Estado.

Questionada sobre o problema no avião relatado pelos procuradores, a FAB não comentou o caso específico e disse que ‘considerando a continuidade das operações, eventuais serviços de manutenção naturalmente são necessários’. O Ministério Público Federal diz que recebeu do Exército o relato de que o avião quebrou e demandava reparos, sem mais detalhes.

Segundo os órgãos, a White Martins, principal fornecedora do oxigênio hospitalar, ‘informou não possuir logística suficiente para atender a demanda’. A empresa comunicou que buscaria o estoque disponível em suas operações na Venezuela e que tentaria viabilizar a importação para abastecer o Estado

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