Procuradoria investiga 26 mil denúncias de corrupção

Em 2015, até outubro, Ministério Público Federal ajuízou 1229 ações de improbidade e 901 criminais; para coordenador da Câmara de Combate à Corrupção resultados acentuam protagonismo da instituição

Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

10 de dezembro de 2015 | 06h00

Sede da PGR, em Brasília.

Sede da PGR, em Brasília. Foto: Divulgação

As ações do Ministério Público Federal (MPF) no combate à corrupção acentuaram o protagonismo da instituição no movimento contra o retrocesso político, social e econômico brasileiro, segundo avaliação do coordenador da Câmara de Combate à Corrupção, subprocurador-geral da República Nicolao Dino.

Nesta quarta-feira, 9, durante evento em Brasília, o Ministério Público Federal anunciou que, em 2015, até outubro, ajuizou 1229 ações de improbidade administrativa e 901 ações de caráter criminal. Outras 26 mil investigações estão em curso para apurar possíveis casos de corrupção em todo o País.

As informações foram divulgadas no site da Procuradoria-Geral da República.

Nicolao Dino citou o emblemático caso Lava Jato, maior investigação de esquema de corrupção já realizada no país, com repercussão internacional. Segundo ele, a Lava Jato soma-se a diversas iniciativas nos planos preventivo, repressivo e propositivo que ‘têm elevado profissionalmente a cruzada contra a corrupção’.

Nicolao Dino apontou ainda outras operações especiais de forte impacto regional, como a Ararath no Mato Grosso, instituída para enfrentar crimes contra o sistema financeiro e de lavagem de dinheiro, e a Zelotes no Distrito Federal, deflagrada em março com o objetivo de investigar fraudes milionárias no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

As iniciativas formam um catálogo com os cem maiores casos de corrupção identificados pelo Ministério Público Federal no Brasil.

“Com isso, damos conhecimento à sociedade de uma relevante parcela do nosso trabalho, em uma busca intransigente da correta aplicação dos recursos públicos que visa garantir a prestação de serviços essenciais como saúde, educação, alimentação adequada e segurança pública”, anotou o subprocurador-geral da República.

Ainda de acordo com o coordenador, a criação dos Núcleos de Combate à Corrupção em 24 Estados e no Distrito Federal alinha-se aos esforços do Ministério Público Federal para especializar a atuação nesse campo. “Os núcleos permitiram alcançar um salto estatístico em quantidade e qualidade das ações anticorrupção movidas pelo órgão.”

Além dos avanços diagnosticados em números de ações e investigações, o Ministério Público Federal mostrou resultados da campanha ’10 Medidas contra a Corrupção’. Nicolao Dino ressaltou que a iniciativa busca não apenas estimular a adesão social ao conjunto de propostas, mas pretende criar regras mais claras no Poder Judiciário e no Ministério Público sobre a divulgação de suas ações e resultados. “Os atores do sistema de Justiça também devem dizer à sociedade qual resposta foi dada aos encaminhamentos e em quanto tempo.”

Confira a íntegra do discurso do coordenador da Câmara de Combate à Corrupção, subprocurador-geral da República Nicolao.

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