Procuradoria faz mais duas denúncias contra quadrilha que exportava cocaína pelo Porto de Santos

Grupo tinha ligação com laboratório de doleiro da Operação Lava Jato

Redação

30 de setembro de 2014 | 16h35

Por Julia Affonso

O Ministério Público Federal em Santos ofereceu duas novas denúncias contra integrantes de uma quadrilha formada por mais de 40 pessoas que exportava drogas pelo porto da cidade paulista. Mais oito pessoas da quadrilha estariam envolvidas em três ações ilegais registradas entre agosto e novembro de 2013. Eles teriam participado de negociações para envio de 421 quilos de cocaína à Europa.

O esquema foi alvo da Operação Oversea, que desarticulou um grupo que fazia tráfico de drogas no porto de Santos, no fim de março deste ano.  O MPF pede que a Justiça Federal os condene por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e constituição de organização criminosa.

Em março deste ano, quando foi deflagrada a Operação Oversea, documentos dos laboratórios Labogen Química Fina e Piroquímica Comercial, controladas pelo doleiro Youssef, foram encontrados no cofre de um dos maiores traficantes do país, capturado por tráfico no porto de Santos. Alberto Youssef é investigado pela PF na Operação Lava Jato.

A PF vê elo da Labogen com traficante internacional de drogas. A Labogen chegou a negociar contrato com o Ministério da Saúde na gestão de Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo.

A PF descobriu que o traficante Sauélio Alves Leda, alvo da Oversea. mantinha os papeis num cofre localizado no seu quarto em um sítio de Mogi das Cruzes (SP). Ele é investigado por tráfico internacional de drogas. “Embora as referidas empresas não tenham sido investigadas durante a operação Oversea existem indícios que estes documentos estejam diretamente ligados a lavagem de dinheiro e é de extrema importância a identificação de pessoas e empresas envolvidas com a estrutura da organização criminosa voltada para o tráfico ilícito de drogas”, diz relatório de inteligência da PF.

Nas duas novas denúncias levadas à Justiça Federal, a Procuradoria destaca que os acusados adotaram as mesmas medidas em todas as operações de exportação da quadrilha.Após receberem a droga que saía de países vizinhos ao Brasil, como Bolívia e Colômbia, eles providenciaram a inserção do material em navios cargueiros com destino à Alemanha, à Bélgica e à Espanha. Os tabletes de cocaína foram acondicionados em malas de viagem e colocados em contêineres com cargas de algodão e ração animal.

Após a travessia do Atlântico, os receptores apenas teriam a incumbência de recolher os pacotes nos portos europeus. No entanto, as trocas de mensagens entre os criminosos, legalmente monitoradas, permitiram às autoridades o acompanhamento das ações e a apreensão das mercadorias ilícitas ainda em Santos, antes da partida.

A megaquadrilha foi  deflagração da Operação Oversea, foram apreendidas ao todo mais de três toneladas de cocaína negociadas pela quadrilha desde julho de 2013. De acordo com o MPF, as investigações demonstram o tamanho da ramificação da quadrilha. As atividades envolveram o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que atua dentro e fora dos presídios paulistas.

Foram identificadas duas células principais do grupo. Uma era responsável pela aquisição da droga em países vizinhos e o envio ao exterior. A outra cuidava da logística no terminal portuário, com atuação em diversos pontos de embarque. Os criminosos participaram de pelo menos 21 operações de exportação de cocaína.