Procuradoria e PF põem Operação Submarino contra engenheiro da Marinha por propina de R$ 6 mi

Procuradoria e PF põem Operação Submarino contra engenheiro da Marinha por propina de R$ 6 mi

Renato Del Pozzo, do Centro Tecnológico da Marinha, e outro engenheiro, Jairo Mola, são alvo de buscas nesta quinta, 7

Redação

07 Fevereiro 2019 | 13h57

Foto: Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo/Google Street View

Atualizado às 14h56, de 08/02, com manifestação da Marinha

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta, 7, a Operação Submarino, e cumpriu buscas e apreensões em três endereços ligados ao engenheiro nuclear do Centro Tecnológico da Marinha, Renato Del Pozzo, e ao engenheiro Jairo João Mola. A operação foi requerida à Justiça Federal pela Procuradoria da República em São Paulo, que investiga corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo os dois engenheiros.

O Centro Tecnológico da Marinha, localizado em São Paulo (CTMSP), desenvolve o Programa Nuclear da Marinha, que busca o desenvolvimento nacional de propulsores para o projeto do submarino nuclear brasileiro.

Segundo o Ministério Público Federal, entre 2008 e 2015, Del Pozzo ‘solicitou propina no valor aproximado de R$ 6 milhões à empresa austríaca Bilfinger Maschinembau GMBA & CO (MAB)’ – grupo que atua no ramo de fabricação e engenharia de componentes para tecnologia de reatores nucleares.

A MAB celebrou 15 contratos administrativos com o Centro Tecnológico da Marinha e com o Comando Naval Brasileiro Europa (BNCE) para fornecimento de materiais para pesquisa, importação de bens, tecnologia e prestação de serviços no campo da tecnologia nuclear.

No curso desses contratos, segundo a Procuradoria, Del Pozzo ‘solicitou e recebeu o pagamento de propina para intermediar a contratação da empresa austríaca pelo Centro Tecnológico da Marinha’.

A investigação diz que o engenheiro também recebeu propinas pela ‘prestação de serviços de consultoria relacionados à entrada da MAB nos mercados brasileiro e sul-americano’.

Por causa dessas solicitações, Del POzzo recebeu mais de R$ 3,6 milhões (em valores atualizados).

O dinheiro foi pago a empresa Agenda, de titularidade de Del Pozzo, ‘mediante depósitos efetivados em conta bancária na Suíça’.

“A empresa JJ&RR Assessoria Técnica e Comercial Ltda., de propriedade de Jairo João Mola, também recebeu valores relacionados à propina ajustada por Del Pozzo”, sustenta a Procuradoria.

O pagamento da propina foi mascarado sob a forma de contrato de prestação de serviços de consultoria.

Além das buscas e apreensões, a 2.ª Vara Federal Criminal Especializada da Justiça Federal de São Paulo, a pedido da procuradora da República Thaméa Danelon, responsável pelo caso, determinou que Del Pozzo ‘seja proibido de exercer qualquer função pública e seja proibido de entrar ou frequentar qualquer dependência da Marinha do Brasil’.

A segunda medida vale também para Jairo João Mola.

A Justiça Federal determinou ainda o sequestro de bens e valores mantidos nas contas bancárias de Del Pozzo, Mola e suas respectivas mulheres, bem como nas contas das empresas Agenda, JJ&RR e Unitécnica.

O valor do bloqueio deve atingir até o montante de R$ 13 milhões.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem está tentando contato com a defesa dos engenheiros e das empresas citadas na Operação Submarino, do Ministério Público Federal. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, A MARINHA

A Marinha do Brasil, por meio do Centro de Comunicação Social da Marinha, participa que, desde 2015, quando tomou conhecimento do caso, através da Controladoria-Geral da União, vem contribuindo para a elucidação de supostos ilícitos relacionados às atividades da empresa Bilfinger Maschinembau GMBA & CO.KO (MAB), visando à preservação do patrimônio público e à persecução penal militar. Como resultado, foram instaurados Inquéritos Policiais Militares, devidamente encaminhados ao Ministério Público Militar, em 2017 e 2018.