Procuradoria e PF põem Cinderela contra exploração do sexo e trabalho escravo

Procuradoria e PF põem Cinderela contra exploração do sexo e trabalho escravo

Operação deflagrada nesta quarta, 13, cumpre dez mandados de prisão e 18 de buscas na cidade de Ribeirão Preto

Redação

13 de março de 2019 | 08h08

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal deflagraram nesta quarta, 13, a Operação Cinderela contra o tráfico de pessoas e exploração sexual de jovens transexuais em Ribeirão Preto (SP). Foram expedidos dez mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão na cidade paulista.

Um dos alvos da operação já estava preso por outro processo criminal e é investigado por dois homicídios e o desaparecimento de três transexuais, uma delas adolescente.

A investigação começou a partir de denúncias de duas vítimas que fugiram do local onde eram exploradas. Segundo elas, jovens transexuais eram trazidas de outros Estados, principalmente do Norte e do Nordeste, para serem prostituídas em Ribeirão Preto. Os suspeitos prometiam, em troca, hospedagem, alimentação e cirurgias de transformação de corpo.

De acordo com a Procuradoria, as vítimas chegavam em São Paulo endividadas em razão das passagens e despesas de viagens, que eram abatidas do que recebiam. Sem dinheiro, elas eram obrigadas a consumir drogas, exploradas sexualmente e empregadas no mercado do sexo. De acordo com o grau de dependência econômica, os aliciadores conduziam cirurgias ilegais de alteração corporal, como aplicação de silicone industrial. O objetivo era aumentar ainda mais a dívida das vítimas.

As jovens transexuais que deixavam de quitar as dívidas ou descumprissem as ‘regras’ estabelecidas pelos aliciadores eram julgadas em uma espécie de ‘tribunal do crime’ e castigadas com pedaços de madeiras com pregos, insultos e multas pecuniárias.

Segundo os investigadores, há registros de suicídios, desaparecimentos e homicídios relacionados à cobrança das dívidas entre as vítimas.

Os investigados responderão pelos crimes de tráfico de pessoas,  redução à condição análoga à de escravo, rufianismo e organização criminosa.