Procuradoria do Rio rebate Gilmar Mendes sobre Lava Jato

Procuradoria do Rio rebate Gilmar Mendes sobre Lava Jato

Redação

19 de abril de 2021 | 18h17

O ministro Gilmar Mendes. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro rebateu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que, em entrevista ao Estadão, indicou que o advogado Nythalmar Filho ‘teria trânsito’ com os procuradores que integraram a força-tarefa da Operação Lava Jato fluminense e fechavam as delações no âmbito da investigação. Em nota enviada à reportagem, a Procuradoria no Rio afirmou que formalizou 182 acordos de colaboração premiada, com ‘diversos advogados’, sendo que apenas um deles foi fechado por Nythalmar Filho.

O MPF no Rio apontou que o acordo citado ‘respeita a legalidade’ e lembrou que Nythalmar Filho teve alguns habeas corpus concedidos por Gilmar, ‘sem que isso obviamente possa significar que houve ali alguma ilegalidade’. Além disso, ressaltou que o advogado foi alvo de buscas, deferidas pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio, após representação dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Rio.

A indicação de Gilmar sobre o advogado se deu quando o ministro, crítico dos métodos da Lava Jato, comentava sobre mensagens hackeadas atribuídas a integrantes da força-tarefa em Curitiba – que foram apreendidas na Operação Spoofing – durante o julgamento da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro. O ministro do STF leu alguns dos diálogos ao votar pelo reconhecimento da parcialidade do ex-magistrado.

“Houve, de alguma forma, um colapso aí, em termos de gestão administrativa. Esses problemas se multiplicam. De alguma forma, estão ocorrendo episódios semelhantes na Sétima Vara de do Rio de Janeiro. Em que aparece um super advogado (Nythalmar Filho, alvo de mandados de busca da Polícia Federal), que teria relacionamento com o juiz (Marcelo Bretas), que teria trânsito com os procuradores, que faziam todas as delações… E tudo mais. Nesse mundo obscuro que é o Rio de Janeiro. O combate à corrupção não pode ser instrumento de corrupção”, afirmou Gilmar em entrevista ao Estadão.

Leia a íntegra da nota do MPF no Rio

O Ministro Gilmar Mendes, em entrevista ao Estadão, afirmou que o advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho teria trânsito com Procuradores e teria sido responsável por fazer todas as delações. A afirmativa feita pelo Ministro não é verdadeira, e a tentativa de impor uma narrativa é facilmente desmentida pelos fatos. A FT no Rio de Janeiro negociou inúmeros acordos de colaboração premiada com diversos advogados, tendo formalizado 182. De todos os acordos celebrados, apenas um deles foi celebrado pelo advogado mencionado pelo Ministro, e, ainda assim, conjuntamente com outros escritórios, de renome nacional, representando parte dos celebrantes. O acordo celebrado com a participação do advogado respeita a legalidade. Por outro lado, ressalta-se que o advogado mencionado pelo Ministro teve êxito em alguns habeas corpus concedidos pelo Ministro, sem que isso obviamente possa significar que houve ali alguma ilegalidade. Importante salientar que o advogado mencionado pelo Ministro foi investigado e teve deferidos contra si mandados de busca e apreensão autorizados pela 3ª Vara Federal Criminal em razão de representação apresentada pelos Procuradores da FT no Rio de Janeiro.

Leia a íntegra da nota do MPF no Rio

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