Procuradoria diz que presidente do PSDB Goiás é ‘líder político de organização criminosa’

Procuradoria diz que presidente do PSDB Goiás é ‘líder político de organização criminosa’

Afrêni Gonçalves e outros 34 investigados na Operação Decantação são acusados de desvio de R$ 5,2 milhões em recursos federais

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

12 de setembro de 2016 | 18h53

Afrêni Gonçalves. Foto: PSDB-GO

Afrêni Gonçalves. Foto: PSDB-GO

O Ministério Público Federal aponta em denúncia da Operação Decantação, a Lava Jato do Cerrado, que o presidente do PSDB Goiás e diretor de Expansão da Saneago (Empresa de Saneamento do Estado), Afrêni Gonçalves, atuava na estatal ‘para favorecer aliados políticos’. Afrêni e outros 34 investigados foram denunciados pela Procuradoria da República por desvios de cerca de R$ 5,2 milhões em recursos federais.

“Resta evidenciado que o denunciado Afrêni se relaciona com empresários sabidamente envolvidos em atividades criminosas, bem como com agentes públicos, igualmente envolvidos em ilícitos, sem jamais turbar ou ferir os interesses da organização criminosa”, afirma a denúncia.

Afrêni Gonçalves ficou 5 dias preso na deflagração da Decantação em 24 de agosto.

O presidente do PSDB é acusado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção. Na denúncia, a Procuradoria descreve Afrêni Gonçalves como ‘líder político da organização criminosa’.

“No interior da estatal, provendo o núcleo político, opera o denunciado Afrêni Gonçalves Leite, que é o atual Diretor de Expansão e Presidente Estadual do PSDB. Como agente político e diretor da SANEAGO, Afrêni Gonçalves atua para favorecer aliados políticos, intercede na contratação de empresas e também no cronograma de pagamentos dessas”, aponta o Ministério Público Federal.

O procurador Mário Lúcio de Avelar afirma na acusação que, durante o aprofundamento das investigações, ‘foram colhidas provas de interceptação telefônica anotando a cobrança para o pagamento de dívidas da campanha para o governo de 2014’. Segundo os investigadores, verba da Saneago teria irrigado a campanha eleitoral do governador Marconi Perillo (PSDB).

“Esse fato, de per si, evidencia o desvirtuamento das ações da estatal para finalidades não estatutárias e lesivas aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade”, registra o procurador. “ Não é razoável supor que na Saneago exista rubrica orçamentária destinada a pagamento de gráfica outrora contratadas para campanhas políticas.”

A acusação destaca a movimentação de Afrêni Gonçalves para favorecer a empresa JC GONTIJO e a doação de R$ 1 milhão da companhia ao PSDB.

“No contexto mais amplo no qual os fatos se inserem tem-se que os valores recepcionados pelo PSDB o foram a título de propina, ainda que sobe a forma de doação, porque disfarçadas do seu real propósito”, anota o procurador.

“Existem fundados indícios de que o denunciado dá provimento ao núcleo político da organização criminosa, dirige, age e interage na Saneago para beneficiar aliados políticos, direcionar contratos, abreviar pagamentos e percutir dinheiro para o PSDB e campanhas políticas.”

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