Procuradoria diz que ‘novos indícios de práticas criminosas’ levaram à segunda fase da investigação sobre Aécio

Procuradoria diz que ‘novos indícios de práticas criminosas’ levaram à segunda fase da investigação sobre Aécio

Raquel Dodge requereu ao Supremo buscas em endereços ligados ao senador tucano, inclusive no apartamento da mãe dele e de um primo, sob argumento da existência de 'riscos de eliminação de elementos de informação' e que 'a medida é imprescindível para o aprofundamento da investigação'

Fabio Serapião/BRASÍLIA

20 Dezembro 2018 | 11h33

O deputado federal eleito Aécio Neves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A segunda fase da Operação Ross, que mira o senador Aécio Neves (PSDB/MG), foi deflagrada nesta quinta, 20, a pedido da procuradora-geral, Raquel Dodge, com base em representação da Polícia Federal ‘a partir da descoberta de novos indícios de práticas criminosas’. Em manifestação ao Supremo, Raquel defendeu ‘a necessidade das buscas’ em três endereços ligados ao tucano, inclusive no apartamento residencial da mãe dele, Inês Neves da Cunha, em Belo Horizonte, e de um primo, Frederico Pacheco.

A procuradora alertou sobre ‘riscos de eliminação de elementos de informação e que a medida é imprescindível para o aprofundamento da investigação, bem como para a correta delimitação da amplitude das pessoas investigadas’.

As medidas foram determinadas pelo relator do inquérito no Supremo, ministro Marco Aurélio.

Na petição, Raquel defendeu ‘a necessidade das buscas’. Outro objetivo das cautelares, destacou a Procuradoria, é ‘descortinar os envolvidos nos ilícitos perpetrados’.

A Operação Ross investiga suposta propina do Grupo J&F ao senador, entre 2007 e 2014.

A primeira fase foi deflagrada no dia 11 e fez buscas em endereços do próprio senador, da irmã dele, Andréa Neves, e do deputado federal Paulinho da Força (SD-SP).

Ross é um desdobramento da Operação Patmos, deflagrada pela PF em maio de 2017. Os valores investigados, que teriam sido utilizados também para a obtenção de apoio político, ultrapassam R$ 100 milhões.

Segundo o Ministério Público Federal, em troca dos recursos financeiros, Aécio teria prometido favorecimentos em um eventual governo presidencial (2015 a 2018) além de influência junto ao governo estadual de Minas, ‘neste caso, com o objetivo de viabilizar a restituição de créditos tributários’.

Ross faz referência a um explorador britânico que dá nome à maior plataforma de gelo do mundo localizada na Antártida fazendo alusão às notas fiscais frias que estão sob investigação.

A Procuradoria-Geral destacou que a investigação apura compra de apoio político por Aécio. Um dos objetivos da nova fase da Operação Ross ‘é delimitar a participação dos envolvidos no esquema’.

Por que Aécio é investigado?

As investigações apuram a solicitação de vantagens indevidas por parte do senador tucano, o que teria ocorrido em pelo menos quatro ocasiões.

Ao todo, o Grupo J&F teria repassado cerca de R$ 110 milhões a Aécio, sendo que parte desse valor teve como destinatários finais 12 legendas que o apoiaram na disputa presidencial.

Ainda segundo as investigações, parte do dinheiro foi entregue, em espécie, ao senador. O restante dos repasses foi viabilizado por transferência bancária e pelo pagamento de serviços simulados. No inquérito, são investigados os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Em 2017, Aécio foi denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça no âmbito de outro inquérito que também apurou relações do político com o grupo J&F.

Na atual petição, informou a Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria-Geral, o objetivo ‘é dar continuidade à investigação das práticas de corrupção, que não é objeto da ação penal em curso, e de lavagem de dinheiro’.

COM A PALAVRA, O SENADOR AÉCIO NEVES

Recebemos com absoluta indignação a notícia de busca na residência da mãe do Senador Aécio Neves, uma vez que ela nada tem a ver com os fatos em apuração.

Desnecessária e descabida, a busca foi realizada a partir de uma denúncia anônima. Nada foi encontrado e nenhum documento apreendido.

Bastava que se consultasse o sistema de imagens do prédio para se comprovar a falsidade da denúncia e se evitar violência e afronta à privacidade de uma cidadã brasileira.

A empresa Albatroz mencionada ficou inativa por sete anos até ser extinta seis anos atrás, sendo, portanto, incompreensível o pedido de busca numa empresa que as autoridades sabem não existir. O mesmo endereço já havia sido alvo de busca e apreensão em 2017 e nada de irregular foi encontrado.

Reiteramos, como já feito em diversas oportunidades, que o senador Aécio sempre esteve à disposição de todas as autoridades, sendo ele o maior interessado na elucidação dos fatos.

Por fim, aguardamos a finalização célere das investigações para que fiquem provadas, de uma vez por todas, as falsas e convenientes acusações feitas por delatores, criminosos confessos, que ensejam esse inquérito.

Alberto Zacharias Toron
Advogado

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