Procuradoria diz que ‘não tem ingerência’ sobre a pauta da Justiça

Assessoria do procurador-geral Rodrigo Janot informou que depoimento do lobista que acusa o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de exigir US$ 5 milhões em propinas estava marcado desde 19 de junho

Redação

16 de julho de 2015 | 23h29

Julio Camargo. Foto: Reprodução

Julio Camargo. Foto: Reprodução

Por Talita Fernandes, Beatriz Bula e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que o depoimento do lobista Julio Camargo à Justiça Federal no Paraná, base da Operação Lava Jato, ‘não tem qualquer relação’ com as investigações em curso no Supremo Tribunal Federal’ sobre o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), presidente da Câmara.

Camargo depôs nesta quinta-feira, 16, como testemunha de defesa de Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador de propinas do PMDB no esquema de corrupção que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014.

VEJA A PRIMEIRA PARTE DO DEPOIMENTO DE JULIO CAMARGO

O lobista disse que o deputado exigiu dele US$ 5 milhões de uma parcela de US$ 10 milhões de ‘propina atrasada’ – relativa a dois contratos de navios-sonda da Petrobrás. A propina total teria sido de US$ 30 milhões, dos quais US$ 5 milhões teriam sido destinados ao peemedebista, em 2011.

VEJA A SEGUNDA PARTE DO DEPOIMENTO DE JULIO CAMARGO

Camargo declarou na audiência presidida pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações criminais da Lava Jato em primeiro grau, que já havia revelado à Procuradoria-Geral a suposta exigência do presidente da Câmara. Ele contou, inclusive, que já informou a Procuradoria-Geral da República onde foi o local exato em que se encontrou com Eduardo Cunha, no Leblon, Rio.

Cunha já é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal, instância que detém competência legal para processar parlamentares com foro privilegiado. O inquérito está sob responsabilidade da Procuradoria-Geral da República.

Em ‘nota de esclarecimento’’, a PGR destacou que a audiência referente à ação penal da primeira instância foi marcada pelo juiz federal Sérgio Moro no dia 19 de junho, ‘a pedido da defesa de Fernando Soares’.

“A Procuradoria-Geral da República não tem qualquer ingerência sobre a pauta de audiências do Poder Judiciário, tampouco sobre o teor dos depoimentos prestados perante o juiz”, diz o texto da PGR.

LEIA A INTEGRA DA NOTA DE ESCLARECIMENTO DA PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA

“A Procuradoria-Geral da República esclarece que o depoimento prestado na presente data por Júlio Camargo à Justiça Federal do Paraná não tem qualquer relação com as investigações (inquéritos) em trâmite no âmbito do Supremo Tribunal Federal. A audiência referente à ação penal da primeira instância – que tem réu preso, ou seja, tem prioridade de julgamento – foi marcada pelo juiz federal Sergio Moro há semanas (em 19 de junho), a pedido da defesa de Fernando Soares, e a PGR não tem qualquer ingerência sobre a pauta de audiências do Poder Judiciário, tampouco sobre o teor dos depoimentos prestados perante o juiz.”

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