Procuradoria diz não à revogação da prisão de Eduardo Cunha

Procuradoria diz não à revogação da prisão de Eduardo Cunha

Em manifestação ao juiz federal Sérgio Moro, a força-tarefa da Lava Jato fulmina argumentos do ex-presidente da Câmara para sair da cadeia

Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Beatriz Bulla, enviada especial a Curitiba

08 de fevereiro de 2017 | 19h59

Eduardo Cunha chega para depor a Moro / Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Eduardo Cunha chega para depor a Moro / Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

A força-tarefa da Operação Lava Jato manifestou-se nesta quarta-feira, 8, contra a revogação da prisão preventiva do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB), pedida pela defesa do peemedebista.

“Seu poder de influência no meio político de Brasília e a capilaridade de suas práticas criminosas tornam seus atos ainda mais perigosos”, afirmam os procuradores da Lava Jato em Curitiba.

“Neste ponto, existem evidências de que Eduardo Cunha, mesmo preso e com o mandato parlamentar cassado, continua agindo nos bastidores das disputas da Câmara dos Deputados, conforme recentemente noticiado em diversos meios de comunicação.”

O ex-presidente está preso desde outubro de 2016 em Curitiba, por ordem do juiz federal Sérgio Moro – dos processos da Lava Jato, em primeira instância.

pedido mpf cunhaNesta terça-feira, 7, Cunha foi interrogado como réu em uma ação penal em que é acusado de ter recebido em suas contas na Suíça propinas de ao menos R$ 5 milhões referentes à aquisição, pela Petrobrás, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.

O negócio foi tocado pela Diretoria Internacional da estatal, cota do PMDB no esquema de corrupção descoberto na estatal. O Ministério Público Federal sustenta que parte destes recursos foi repassada para Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha, também em contas no exterior – a transação está sendo investigada em outra ação, específica contra a mulher do peemedebista.

Cunha é réu em dois processo com Moro. Na ação em que foi ouvido ontem, o processo está em fase final. Após ouvir os réus, a Justiça abre prazo para as alegações finais da acusação e da defesa, antes de proferir sua sentença.

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O pedido de liberdade foi apresentado pelo criminalista Marlus Arns, que defende Cunha, logo após Cunha ser interrogado.

A Moro, o ex-presidente da Câmara alegou estar com uma aneurisma na cabeça e que não consegue tratamento adequado na cadeia. Argumentou também que os requisitos para sua prisão preventiva não tinham mais validade, no seu entendimento.

“Entendo que estamos diante de um processo que a condenação parece que já está decidida, e que a gente está apenas cumprindo uma mera formalidade processual”, afirmou Cunha.

“Não, ai senhor Eduardo, as questões e provas serão analisas e o senhor está sendo ofensivo”, interrompeu Moro.

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No final do depoimento, Cunha disse que a denúncia não comprova que ele foi o responsável pela indicação do ex-diretor de Internacional da Petrobrás Jorge Zelada e que não há provas de corrupção.

Patrimônio. Os procuradores da Lava Jato afirmam na manifestação contrária à liberdade de Cunha que “é vultuoso o patrimônio” do réu. “Não é correta a afirmação de que ‘todo patrimônio do requerente foi identificado e investigado nesta ação penal’, afinal existem diversos outros bens utilizados pelo requerente que não compõem o objeto do referido processo, tais como os automóveis financiados por Lúcio Bolonha Funaro.” Funaro é lobista preso desde julho de 2016, na Operação Sépsis, como principal operador de Cunha.

“Diante da possibilidade concreta de patrimônio oculto e da manutenção, por Eduardo Cunha, de outras contas no exterior, tais como as relatadas em seu interrogatório em Cayman e Nova York, impõe-se a manutenção da prisão preventiva diante do risco à aplicação da lei penal”, informa a força-tarefa.

Moro agora analisará o pedido de liberdade.

 

 

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