Procuradoria descobre ‘disputas internas pela propina’ na trama dos consignados

Procuradoria descobre ‘disputas internas pela propina’ na trama dos consignados

Operação Custo Brasil, que prendeu ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR), resgatou e-mails que indicam 'discussões acaloradas' sobre divisão de porcentuais

Fausto Macedo, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

24 de junho de 2016 | 05h00

Paulo Bernardo. Foto: André Dusek

Paulo Bernardo. Foto: André Dusek

A Operação Custo Brasil identificou uma intensa ‘disputa por propinas’ no esquema dos empréstimos consignados que levou à prisão o ex-ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão Paulo Bernardo nesta quinta-feira, 23.

A descoberta sobre os entreveros pelo dinheiro ilícito ocorreu por meio do acesso a -emails de investigados da Custo Brasil – operação que desvendou esquema da empresa Consist, contratada por entidades com acordos firmados com o Ministério do Planejamento, em 2010, na gestão Paulo Bernardo.

A Consist iria gerenciar e controlar créditos de consignados a milhares de servidores públicos, mas a Custo Brasil descobriu que a empresa repassava 70% de seu faturamento para ‘parceiros’ indicados supostamente pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto – preso na Lava Jato.

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“Havia disputas internas pela propina, havia uma briga, um querendo que a parte do outro diminuísse”, revelou o procurador da República Andrey Borges de Mendonça, do Ministério Público Federal, que integra a força-tarefa da Custo Brasil.

“Às vezes havia até discussões acaloradas entre eles (investigados)”, destacou o procurador. “Pelos e-mails se verifica uma certa insatisfação de determinados parceiros que vinham perdendo porcentual para outros.”

Pelo menos R$ 100 milhões teriam sido desviados. Uma parte, em valores ainda não apurados, foi parar na conta do PT, segundo a investigação. “Tinha um porcentual destinado ao PT pelo sr. Vaccari.”

O ex-tesoureiro também teria indicado três empresas de fachada para receber parte dos recursos desviados dos consignados. “Essas empresas sequer existiam fisicamente”, atesta o delegado Rodrigo de Campos Costa, da Delegacia de Combate a Investigação contra o Crime Organizado.

“A partir da análise do material apreendido vamos estabelecer efetivamente esses valores”, destacou o delegado. “Quem definia os porcentuais a serem pagos era Vaccari. Pelo teor das colaborações e dos emails, das provas que analisamos, ele (Vaccari) era a pessoa que definia os valores.”

Os alvos da Custo Brasil se tratavam por ‘parceiros’. “É importante dizer que parceiros eram na verdade um eufemismo, eles queriam dizer operadores. Eles se intitulavam parceiros, mas na verdade eram operadores que foram se alternando ao longo do tempo, e os porcentuais foram se alterando ao longo do tempo”, disse o procurador Andrey Borges de Mendonça.

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