Procuradoria denuncia seis por ocultação e lavagem de dinheiro para Siqueira Campos e Sandoval Cardoso

Procuradoria denuncia seis por ocultação e lavagem de dinheiro para Siqueira Campos e Sandoval Cardoso

Ex-governadores do Tocantrins são investigados por esquema que teria desviado R$ 35 milhões de obras de terraplanagem, pavimentação e recuperação de vias públicas

Paulo Roberto Netto

18 de dezembro de 2019 | 05h00

O Ministério Público Federal denunciou seis investigados no âmbito da Operação Ápia por ocultação e lavagem de dinheiro supostamente em benefício dos ex-governadores do Tocantins Wilson Siqueira Campos (DEM) e Sandoval Cardoso (SD). A Procuradoria acusa o grupo de dissimular a origem de repasses no esquema que teria desviado R$ 35 milhões de obras de terraplanagem, pavimentação e recuperação de vias públicas do Estado.

Segundo o Ministério Público Federal, parte do dinheiro desviado foi lavado por meio de uma distribuidora de alimentos, a Del Sabor, que constituiu sociedades fictícias com outras duas empresas, e por um escritório de advocacia, que emitiam notas fiscais fraudulentas em benefício dos ex-governadores, do ex-deputado estadual Eduardo Siqueira Campos (DEM) e do ex-secretário de Infraestrutura Alvicto Nogueira.

Os ex-governadores Sandoval Cardoso e Siqueira Campos. Fotos: Coro Rocha/Governo do Tocantins e Wilson Pedrosa/Estadão

Quando a ‘Ápia’ foi deflagrada, Sandoval foi alvo de mandado de prisão temporária e Siqueira Campos, que é pai de Eduardo, conduzido coercitivamente para depor. Em novembro, os ex-governadores foram alvo de quatro denúncias por peculato e corrupção.

A Procuradoria aponta que cerca de R$ 7,5 milhões foram movimentados na conta da distribuidora de bebidas com origem da EHL Eletro Hidro, com quem constituiu sociedade fictícia. A distribuidora, no entanto, seria como ‘laranja’ para garantir a entrega de dinheiro para Alvicto Nogueira e Sandoval.

O Escritório Melo & Bezerra, por sua vez, teria repassado R$ 700 mil para a EHL Eletro Hidro e parte do montante teria sido repassado a Renan Pereira, então superintendente de Operação e Construção Rodoviária da Agência de Máquinas e Transportes do Estado do Tocantins (Agetrans) na gestão de Nogueira.

A verba foi dissimulada por meio de simulação de prestação de serviços advocatícios.

Outras duas pessoas foram denunciadas por supostamente agirem como intermediários de propinas. É o caso de Douglas Semedo Júnior, da Alvicto Ozores Nogueira & Cia, que atuou entre empreiteiros e agentes públicos, segundo a Procuradoria, movimentando R$ 27 milhões em sua conta bancária entre 2013 e 2016, mesmo recebendo salário de R$ 5,6 mil.

COM A PALAVRA, OS DENUNCIADOS
A reportagem busca contato com a defesa dos denunciados pela Operação Ápia. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

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