Procuradoria denuncia marqueteiro de Dilma e Lula

Procuradoria denuncia marqueteiro de Dilma e Lula

Acusação de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa atinge ainda a mulher e sócia de João Santana, Monica Moura, e o lobista Zwi Skornicki, alvos da Operação Acarajé

Fausto Macedo, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

28 de março de 2016 | 12h47

O marqueteiro João Santana e Mônica Moura em Curitiba. FOTO: REUTERS/Rodolfo Buhrer

O marqueteiro João Santana e Mônica Moura em Curitiba. FOTO: REUTERS/Rodolfo Buhrer

A Procuradoria da República denunciou o publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff (2010 e 2014) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2006). Sua mulher e sócia Monica Moura também foi denunciada pelos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. A acusação atinge ainda o lobista Zwi Skornicki, apontado como operador de propina da Odebrecht no exterior.

Eles são acusados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. O juiz Sérgio Moro encaminhou nesta segunda-feira, 28, o caso para o Supremo Tribunal Federal junto com as investigações sobre o “departamento da propina” da Odebrecht para que a Corte decida quais instâncias serão responsáveis por cada investigação.

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João Santana, Monica Moura e Zwi Skornicki foram alvo da Operação Acarajé, 23ª etapa da Lava Jato. Eles foram presos em fevereiro por ordem do juiz federal Sérgio Moro. Os dois são acusados pelo recebimento de US$ 7,5 milhões, entre 2012 e 2014, do esquema de corrupção descoberto pela Lava Jato na Petrobrás. O dinheiro foi depositado em conta secreta que Santana e a mulher mantinham na Suíça, em nome da offshore Shellbill Finance.

Os valores foram pagos pela empreiteira Odebrecht – o presidente afastado do grupo Marcelo Bahia Odebrecht anunciou a intenção de fazer delação premiada – e pelo operador de propinas Zwi Skornicki.

Na semana passada, a Polícia Federal indiciou criminalmente João Santana, Monica Moura e Zwi Skornicki. A mulher e sócia do marqueteiro decidiu fazer delação premiada. Os termos da colaboração estão sendo definidos com os procuradores com a força-tarefa da Lava Jato.

Nesta segunda-feira, 28, o juiz federal Sérgio Moro enviou os autos da Acarajé e também da Operação Xepa – 26ª etapa da Lava Jato – para o Supremo Tribunal Federal (STF), por causa da apreensão da superplanilha da Odebrecht. No documento constam nomes de cerca de 300 políticos supostamente recebedores de valores da empreiteira.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOÃO SANTANA

“A respeito da decisão da Procuradoria Geral da República de fazer a denúncia do publicitário João Santana e de sua mulher Monica Moura, bem como a decisão do Juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, em encaminhar as investigações sobre o casal para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado criminalista Fábio Tofic, responsável pela defesa jurídica de João Santana, fez a seguinte declaração: “Essa investigação deveria ter sido enviada ao STF há mais tempo. Pelo menos desde quando se cogitou a relação dos fatos com as eleições presidenciais de 2014.”

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