Procuradoria denuncia Major Curió pelo assassinato de Pedro Carretel na guerrilha do Araguaia

Procuradoria denuncia Major Curió pelo assassinato de Pedro Carretel na guerrilha do Araguaia

Redação

17 de agosto de 2021 | 15h35

Major Curió foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro em 2020. Foto: Reprodução/Instagram

O Ministério Público Federal denunciou o coronel da reserva do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, pelo homicídio qualificado e ocultação do cadáver de Pedro Pereira de Souza, conhecido como Pedro Carretel, integrante da guerrilha do Araguaia, movimento de resistência armada à ditadura militar. Segundo a Procuradoria, trata-se da sétima ação movida contra o militar que comandou o combate aos guerrilheiros. Em 2020, ele foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto.

O assassinato de Pedro Carretel ocorreu no início de 1974, no sudeste do Pará. Na época, ele já tinha se entregado aos militares, estava preso e era obrigado a trabalhar como guia do Exército nas matas da região. Segundo a Procuradoria, um grupo chefiado por Curió levou o guerrilheiro de uma base militar conhecida como Casa Azul, em Marabá, até uma fazenda em Brejo Grande do Araguaia, e executou o preso a tiros enquanto ele estava sentado e de mãos amarradas.

A denúncia indica que os demais membros das Forças Armadas que auxiliaram Curió a matar o guerrilheiro ainda não foram identificados ou já estão falecidos. O corpo foi ocultado e os restos mortais não foram encontrados até o momento, registra a ação, assinada por sete procuradores da República integrantes da Força Tarefa Araguaia.

A peça ajuizada no último dia 9, é a décima denúncia contra militares por crimes na repressão à guerrilha, diz o MPF. “No total, já são sete denúncias pelos assassinatos de dez opositores à ditadura, duas denúncias pelo sequestro e cárcere privado de seis vítimas, e uma denúncia por falsidade ideológica, explicou a Procuradoria em nota.

A denúncia registra que dados oficiais, relatórios e investigações apontam que a repressão política à guerrilha do Araguaia foi responsável por quase um terço do número total de desaparecidos políticos no Brasil.

Para o Ministério Público Federal, ‘o extermínio dos guerrilheiros decorria de diretrizes padronizadas e planejadas pelo Exército, e não de excessos pontuais ou casos isolados’. Os procuradores frisam que ‘as práticas criminosas traduziam a política estatal que determinou o comportamento dos agentes militares no Araguaia’.

“Essas práticas foram especialmente violentas durante a terceira e mais sangrenta fase de combate à guerrilha, batizada de operação Marajoara, da qual Pedro Carretel foi uma das vítimas. Essa campanha militar ficou caracterizada pela eliminação definitiva dos guerrilheiros, mesmo quando rendidos ou presos com vida, e pela forte repressão aos moradores locais como forma de obter informações e impedir a perpetuação da guerrilha”, explicou o órgão em nota.

De acordo com os procuradores, na operação Marajoara houve o ‘deliberado e definitivo abandono do sistema normativo vigente, decidindo-se pela adoção sistemática de medidas ilegais que visavam, notadamente, o desaparecimento forçado dos opositores’.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.