Procuradoria denuncia Joesley e Wesley por manipulação do mercado

Procuradoria denuncia Joesley e Wesley por manipulação do mercado

Irmãos Batista, que mergulharam governo Temer na grande crise política, estão presos desde setembro por ordem de Justiça Federal em São Paulo na Operação Acerto de Contas, desdobramento da Tendão de Aquiles

Julia Affonso, Fausto Macedo e Luiz Vassallo

10 de outubro de 2017 | 13h56

Da esquerda para a direita: Joesley Batista e Wesley Batista. Fotos: Felipe Rau e Rafael Arbex/Estadão

Os procuradores da República Thaméa Danelon e Thiago Lacerda Nobre, do Ministério Público Federal, em São Paulo, denunciaram à 6 Vara Federal os irmãos Joesley e Wesley Batista, na Operação Acerto de Contas, desdobramento da Tendão de Aquiles, por uso de informação privilegiada e manipulação do mercado. Os executivos estão presos.

+ “Nós não chegamos a ter 1 bilhão lá? Por que só 300?”

A Tendão de Aquiles apura o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio, data da divulgação dos dados relacionados à delação premiada firmada pelos executivos e a Procuradoria-Geral da República.

+ Leia o relatório da PF que incrimina Joesley e Wesley JBS

Para o Ministério Público Federal, em São Paulo, os irmãos ‘minimizaram prejuízos mediante a compra e venda de ações e lucraram comprando dólares c base em informações que dispunham sobre o acordo de delação premiada que haviam negociado com a Procuradoria-Geral da República’.

“Juntos, Wesley e Joesley atuaram para reduzirem o prejuízo com os papeis e lucrarem com a compra da moeda americana, aproveitando- se da informação privilegiada e, como consequência, manipulando o mercado de ações”, diz a Procuradoria da República.

Segundo a denúncia, ‘as operações ilegais’ de venda e compra de ações ocorreram entre 31 de março e 17 de maio.

Wesley foi preso em 13 de setembro, em sua casa, em São Paulo. Joesley havia sido custodiado dois dias antes por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, por suspeita de violação de sua própria delação premiada.

Os irmãos foram indiciados pela Polícia Federal em 20 de setembro. Joesley foi indiciado pela suposta autoria dos crimes de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada, previstos na Lei 6.385/76, com abuso de poder de controle e administração, em razão do evento de venda de ações da JBS S/A pela FB Participações, controladora desta última.

Wesley foi indiciado como autor do crime de manipulação de mercado e ‘como partícipe no crime de uso indevido de informação privilegiada praticado por Joesley com abuso de poder de controle e administração, em relação aos eventos relativos à venda e compra de ações da JBS S/A’.

O relatório final da PF na Tendão de Aquiles foi entregue ao Ministério Público Federal. Segundo o documento, com a assinatura do compromisso de delação premiada, os irmãos tiveram a certeza de que aquele documento ‘era impactante’ e a informação poderia ser utilizada no mercado.

COM A PALAVRA, J&F

“A JBS informa que não teve acesso ao relatório da PF e reitera que as operações de recompra de ações e derivativos cambiais em questão  foram realizadas de acordo com perfil e histórico da Companhia que envolvem operações dessa natureza. Tais movimentações estão alinhadas à política de gestão de riscos e proteção financeira e seguem as leis que regulamentam tais transações.

Conforme demonstra estudo da Fipecafi sobre o tema:

  • havia subsídios econômicos para a estratégia de derivativos cambiais adotados pela companhia;
  • operações com derivativos fazem parte da rotina operacional da empresa;
  • as recompras efetuadas pela JBS em 2017 são normais quando comparadas às do período imediatamente anterior;
  • ação da JBS estava “barata” e não há evidências de que o preço se comportou de forma distinta nos dias de recompra pela empresa.”


COM A PALAVRA, A DEFESA

O advogado Pierpaolo Bottini, que defende os irmãos Batista, disse que ainda não teve acesso ao relatório final da Operação Acerto de Contas. O espaço está aberto para a manifestação.

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