Procuradoria denuncia grupo que importava e revendia sementes de maconha pela internet

Procuradoria denuncia grupo que importava e revendia sementes de maconha pela internet

Segundo Ministério Público Federal em São Paulo, acusados ofereciam cada 'pack' com 3 unidades a R$ 40 e faziam entregas diretamente ou pelos Correios

Pepita Ortega e Pedro Prata

11 de setembro de 2019 | 12h40

O Ministério Público Federal denunciou os integrantes de um grupo especializado na importação e na revenda de sementes de maconha para todo o Brasil a partir de São Paulo. Os itens eram trazidos do Chile e comercializados por meio de uma página na internet e em redes sociais.

Cada ‘pack’ de sementes de maconha, que continha em média 3 unidades, era vendido por cerca de R$ 40. Foto: Foto: Pixabay/@7raysmarketing

Os envolvidos mantinham o esquema desde janeiro de 2017 e continuaram as vendas mesmo após a deflagração da Operação Seeds Bank, em março de 2018, que interrompeu as atividades ilegais do grupo e levou alguns de seus integrantes à prisão.

O líder é um cidadão chileno que, de Santiago, fornecia as sementes e coordenava o funcionamento do site de vendas, segundo a Procuradoria.

As informações foram divulgadas pela Procuradoria em São Paulo. O número dos autos judiciais é 0004965-53.2018.4.03.6181.

O material era transportado para São Paulo em viagens de ônibus e entregue a duas pessoas responsáveis pelo armazenamento, o gerenciamento do estoque e a distribuição nacional.

Cada ‘pack’ de sementes de maconha, que continha em média 3 unidades, era vendido por cerca de R$ 40.

O grupo comercializava também equipamentos e outros insumos necessários ao cultivo da planta. Anunciados pela internet, em panfletos e revistas, os produtos eram remetidos aos compradores pelos Correios ou por meio de entregas diretas.

A denúncia atribui aos acusados os crimes de tráfico internacional de entorpecentes e associação ao tráfico.

Entre as provas dos delitos estão o conteúdo de conversas telefônicas interceptadas sob autorização judicial e extratos bancários que demonstram as movimentações financeiras dos envolvidos. Itens encontrados com os integrantes do grupo no dia da deflagração da Operação Seeds Bank também revelaram a natureza do esquema.

Na ocasião, além de grande quantidade de sementes, os investigadores apreenderam mudas de maconha, produtos para o cultivo, registros do fluxo de caixa e dinheiro nacional e estrangeiro em espécie.

“A associação caracterizou-se pela formação de uma estrutura empresarial, longeva e estável, em que os associados dividiam tarefas, com o fim de obter lucro mediante a importação, a comercialização e a distribuição de entorpecentes”, afirmou o procurador da República Luís Eduardo Marrocos de Araújo, autor da denúncia.

As investigações tiveram início na Polícia Civil de Minas, após uma moradora de um município na região de Pouso Alegre registrar boletim de ocorrência relatando o recebimento por engano de uma encomenda dos Correios com sementes de maconha.

O caso foi remetido a São Paulo devido à constatação de que a capital paulista era a base de operação do grupo.

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