Procuradoria denuncia ex-governadora Wilma de Faria (RN) por lavagem de dinheiro

Procuradoria denuncia ex-governadora Wilma de Faria (RN) por lavagem de dinheiro

Ação indica que R$ 200 mil doados para campanha de reeleição, em 2006, tiveram origem em 'esquema de corrupção' desmontado na Operação Hígia

Fausto Macedo e Fernanda Yoneya

12 de dezembro de 2015 | 03h05

O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte denunciou a ex-governadora do Estado Wilma de Faria (PSB) – atual vice-prefeita de Natal -, sua filha Ana Cristina de Faria Maia e Carlos Roberto do Monte Sena – ex-marido de Ana Cristina -, pelo crime de lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia da Procuradoria da República, a ex-governadora, a filha e o ex-genro estariam envolvidos no recebimento de R$ 200 mil para a campanha de reeleição de Wilma de Faria, em 2006.
Wilma foi a primeira mulher eleita para governador do Rio Grande do Norte.

Os R$ 200 mil doados pela empresária Jane Alves e seu marido, Anderson Miguel, tiveram origem no esquema de corrupção desmascarado na chamada Operação Hígia, afirmou o Ministério Público Federal em seu site, nesta sexta-feira, 11.

A ex-governadora do Rio Grande do Norte Wilma de Faria (PSB). FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

A ex-governadora do Rio Grande do Norte Wilma de Faria (PSB).
FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

A denúncia, de autoria do procurador da República Fernando Rocha, aponta que o dinheiro foi repassado a Roberto Monte na agência do Banco do Brasil localizada no Centro Administrativo do Estado.

O repasse, confirmado em depoimento pelo ex-gerente da agência, tinha como objetivo, segundo o Ministério Público Federal, ajudar na campanha de reeleição de Wilma de Faria e, assim, “garantir a continuidade do esquema ilegal descoberto pela Operação Hígia”.

A Hígia desarticulou uma quadrilha especializada em fraudar licitações, superfaturar contratos e promover corrupção de agentes públicos de diversos órgãos estaduais, destaca o Ministério Público Federal.

Os supostos desvios de verbas teriam ocorrido durante a gestão de Wilma de Faria. Em seu depoimento à Polícia Federal, Jane Alves apontou Ana Cristina como beneficiária indireta de propina, paga inclusive durante a campanha de 2006. “O fato foi confirmado por Anderson Miguel e outros envolvidos no esquema”, destaca a denúncia.

Além de Jane Alves e seu marido, foi apontado como um dos líderes do esquema ilícito o próprio filho de Wilma de Faria, Lauro Maia, que teria promovido reuniões da organização criminosa no escritório da residência oficial da então governadora.

Em dezembro de 2013, Jane foi condenada por formação de quadrilha e corrupção ativa; enquanto Lauro Maia por formação de quadrilha, corrupção passiva e tráfico de influência. Anderson Miguel, assassinado em 2011, não chegou a ser julgado, informa o Ministério Público Federal.

A doação dos R$ 200 mil para a campanha de Wilma de Faria ocorreu no período em que já se investigava a participação da empresária Jane Alves no esquema fraudulento, na Operação União, que deu base, posteriormente, à Operação Hígia.

Anderson Miguel confirmou em depoimento o repasse do dinheiro a Ana Cristina para a campanha de reeleição, por meio de Roberto Sena.

O ex-gerente do Banco do Brasil, que acompanhou a transação, descreveu a transferência do valor, informando inclusive que foi necessário escrever a expressão “pague-se” no verso do cheque para que, então, outro funcionário da agência entregasse o dinheiro em espécie.

A denúncia contra Wilma de Faria, Ana Cristina e Roberto Monte foi protocolada na Justiça Federal sob o número 0004293-32.2015.4.05.8400

A ex-governadora não foi localizada para comentar a denúncia.

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