Procuradoria denuncia esfaqueador de Bolsonaro por ‘inconformismo político’

Procuradoria denuncia esfaqueador de Bolsonaro por ‘inconformismo político’

Ministério Público Federal segue entendimento da Polícia Federal e acusa Adélio Bispo de Oliveira de violação ao artigo 20 da Lei de Segurança Nacional por ataque a golpe de faca candidato à Presidência pelo PSL, crime ocorrido no dia 6 de setembro em Juiz de Fora (MG)

Fabio Serapião

02 Outubro 2018 | 12h13

Adélio Bispo. Foto: PM-MG

O Ministério Público Federal denunciou Adélio Bispo de Oliveira nesta terça-feira, 2, pelo atentado a faca contra o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). O MPF seguiu o entendimento da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) e enquadrou o agressor no artigo 20 da Lei de Segurança Nacional pela prática de “atentado pessoal por inconformismo político”.

Documento

Bolsonaro foi golpeado no dia 6 de setembro quando fazia campanha no centro de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ele foi operado na cidade mineira e depois transferido para Hospital Albert Einsten, em São Paulo, onde passou por uma segunda intervenção cirúrgica. O candidato recebeu alta no último fim de semana e está em recuperação na sua residência, no Rio de Janeiro.

“Adélio Bispo Oliveira agiu, portanto, por inconformismo político. Irresignado com a atuação parlamentar do deputado federal, convertida em plataforma de campanha, insubordinou-se ao ordenamento jurídico, mediante ato que reconhece ser extremo”, afirmou o procurador Marcelo Borges de Mattos Medina. Para o MPF, o esfaqueador quis com a facada excluir Bolsonaro da disputa eleitoral de modo a “determinar o resultado das eleições, não por meio do voto, mas mediante violência”.

Foto: FABIO
MOTTA/ESTADÃO

Na acusação, que pode resultar em uma condenação de até 20 anos para Bispo, o MPF afirma que o agressor planejou o ataque a Bolsonaro desde o dia em que soube pelos jornais que ele estaria em Juiz de Fora.

Como mostrou o Estado, antes de ir para a cidade mineira, Bispo esteve em Florianópolis (SC), onde realizou um curso de tiro em um clube que um dos filhos de Bolsonaro frequentava.

A PF esteve no local, tomou o depoimento das pessoas que trabalham no clube e soube que na aula final do curso Bispo chegou a disparar 70 tiros. Questionado sobre as aulas, o agressor confirmou à PF que tinha interesse em adquirir uma arma. Segundo ele, o objetivo da aquisição era “proteção”, uma vez que se sentia ameaçado pelo fato de ter feito denúncias contra um político da cidade mineira de Uberaba.

O MPF também cita em sua denúncia as informações encontradas pela PF no celular de Bispo e que mostram a premeditação para a execução do atentado. No arquivo do aparelho, foram encontradas fotos do outdoor com a data da visita de Bolsonaro a Juiz de Fora e dos locais por onde ele passaria.

“A tentativa de eliminação física do favorito na disputa pelo primeiro turno, em esforço para suprimir a sua participação no pleito e determinar o resultado das eleições mediante ato de violência – e não, como dito, mediante o voto –, expôs o grave e iminente perigo de lesão o regime democrático”, diz a denúncia.