Procuradoria denuncia empresário por fraude de R$ 10 milhões de financiamento público e compra de apartamento, jet ski e lancha

Redação

10 de dezembro de 2020 | 13h56

O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte denunciou o empresário Fernando Ikeda por utilizar empresas de fachada para simular a aquisição de máquinas destinadas a suas indústrias localizadas em Natal (F. Ikeda Indústria de Alimentos Ltda.) e Fortaleza (Snacks do Brasil Indústria de Alimentos Ltda.), e usar os quase R$ 10 milhões obtidos com dois financiamentos junto ao Banco do Nordeste para compras pessoais, incluindo um apartamento, um jet ski e uma lancha.

A Procuradoria imputa ao empresário fraude na obtenção de financiamento, desvio de finalidade na aplicação dos recursos e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal apontou ainda que a denúncia envolvendo crimes que teriam ocorrido entre 2009 e 2011 já foi recebida pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte.

Segundo o MPF, Ikeda tomou os dois financiamentos junto ao BNB, utilizando recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), nos valores de R$ 4.058.010 e R$ 5.897.200. Depois teria simulado a compra das máquinas por duas empresas de fachada pertencentes a seu grupo empresarial – a LPI, Linha de Produção Industrial Máquinas Ltda, e a Maquin, Máquinas Industriais Ltda), sendo que tais companhias acabaram passando para o nome de empregados do empresário.

“Os financiamentos, por consequência, também não foram quitados. Até agosto de 2018, a dívida com o banco público – somando juros e multas – já ultrapassava os R$ 16 milhões. Relatórios de fiscalização do BNB, de julho de 2010, não localizaram parte dos equipamentos e apontaram indícios de que outras máquinas apresentadas eram antigas, tendo sido reformadas, e não novas como previa o contrato junto ao FNE”, frisou ainda a Procuradoria.

Com os recursos do primeiro financiamento, o empresário adquiriu um apartamento no Edifício Portal da Enseada, na Avenida Governador Sílvio Pedrosa, em Areia Preta, diz o MPF. O imóvel custou R$ 680 mil e foi vendido em 2011, por R$ 950 mil, e somente neste ano foi incluído em sua declaração de Imposto de Renda, ‘como se tivesse sido comprado e vendido no mesmo exercício, para não chamar a atenção da Receita Federal’.

Já as embarcações, o jet ski e a lancha, custaram respectivamente R$ 36 mil e R$ 70 mil. Os bens foram passados em 2012 para o nome da filha e da então namorada do empresário, sendo posteriormente vendidas a terceiros, apontam os procuradores. “Colocar as embarcações em nome da namorada e da filha foi a forma encontrada pelo empresário para dissimular a posse dos bens, quando começaram a surgir as suspeitas”.

Ainda sobre o financiamento de R$ 4 milhões, parte do dinheiro foi repassado da conta da empresa para a conta pessoal de Ikeda, diz o MPF. Até 10 de agosto de 2018 o Banco do Nordeste informava que faltavam ser pagos R$ 3.399.619,38 da parte principal. Somado aos juros e multa, a dívida já alcançava R$ 6.219.810,23.

Já o segundo financiamento, de R$ 5,8 milhões, foi obtido pela Snacks para supostas compras na Maquin. No entanto, segundo os investigadores, parte do dinheiro não foi transferido à Maquin, sendo outros montantes foram ‘devolvidos’ ou pra outras empresas do grupo, entre elas a Multplix Construções Ltda, que nunca atuou na área de maquinários, mas recebeu R$ 1 milhão para se capitalizar.

“O BNB informou que, em 10 de agosto de 2018, estava em aberto o pagamento de R$ 4.845.288,81 da parte principal do débito referente a esse segundo financiamento, que acrescido de juros e multa atingia um montante de R$ 9.875.966,77”, explicou o MPF.

COM A PALAVRA, O EMPRESÁRIO

A reportagem busca contato com o empresário Fernando Ikeda. O espaço está aberto para manifestações.

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