Procuradoria denuncia e pede prisão de ‘Godfather’ por desvios de R$ 75 milhões de quase 2 mil investidores em moradias populares

Procuradoria denuncia e pede prisão de ‘Godfather’ por desvios de R$ 75 milhões de quase 2 mil investidores em moradias populares

Empresário Anthony Jon Domingo Armstrong Emery é acusado de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e associação criminosa por ter se apropriado de quantia milionária de quase 2 mil investidores, principalmente de Singapura e do Reino Unido, com a suposta construção de casas populares no Rio Grande do Norte

Redação

12 de março de 2020 | 15h07

Foto: Werther Santana/Estadão

O Ministério Público Federal denunciou o empresário inglês Anthony Armstrong Emery e outros sete investigados por esquema de lavagem de dinheiro no Rio Grande do Norte, entre 2012 e 2014, que desviou pelo menos R$ 75 milhões de quase 2 mil investidores. A Procuradoria ainda pediu a prisão de Anthony Emery e de sua enteada, que estão em lugar desconhecido.

A denúncia é resultado da Operação Godfather deflagrada em 2014 a partir de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O nome da ação faz referência ao título em inglês dos livros e filmes ‘O Poderoso Chefão’.

No Rio Grande do Norte, ‘Godfather’ se tornou apelido de Anthony Armstrong, diz o Ministério Público Federal.

As informações foram divulgadas pela Assessoria de Imprensa do Ministério Público Federal.

Segundo a Procuradoria, por meio do Grupo Ecohouse, Anthony e a enteada – e principal sócia -, Gabriela Medeiros de Oliveira, prometiam ganhos de 20% por ano decorrentes da construção e venda de moradias populares supostamente vinculadas ao programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, no Rio Grande do Norte.

No entanto, as obras não eram concluídas ou sequer iniciadas, o grupo não possuía convênio com o programa federal e o dinheiro dos investidores nunca foi devolvido.

A denúncia também atinge um funcionário da Caixa Econômica Federal, Jônatas Aragão Ramos, que ‘atestou ilegalmente’ que a construtora de Anthony Armstrong possuía contrato com o Minha Casa, Minha Vida.

Segundo a Procuradoria, o banco informou que não costuma emitir esse tipo de documentação e que o funcionário não tinha o direito de fazê-lo.

Além de Anthony, Gabriela e Jônatas, a acusação abarca cinco contadores que assinaram como ‘profissionais independentes’ 107 declarações que atestavam o suposto andamento das obras: Aritelmo Franco da Silva, Alexandre Magno Mendes, André Pinheiro Lopes, Jailson Silva de Araújo e Michel Ralan Bezerra Barros. Os procuradores alegam que eles nunca visitaram os canteiros.

Segundo a Procuradoria, Anthony e Gabriela poderão responder por cinco tipos de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional – divulgar informações falsas a investidores; utilizar de má-fé; apropriar-se do dinheiro alheio em proveito próprio; induzir os investidores a erro; e operar instituição financeira sem a devida autorização.

Eles também foram denunciados por lavagem de bens e, junto de Jônatas Aragão, por associação criminosa. O funcionário da Caixa e os cinco contadores podem responder por falsidade ideológica.

Segundo os procuradores, o esquema chefiado por ‘Godfather’ prejudicou até 1.500 investidores de Singapura e aproximadamente 350 do Reino Unido.

Eles indicam que, embora as contas do Grupo Ecohouse tenham registrado movimentação de R$ 75 milhões em dois anos e meio, há relatos de prejuízos ainda maiores, como o de uma advogada que calcula em R$ 64 milhões o prejuízo de seus 400 clientes de Singapura.

No Reino Unido, Armstrong foi condenado em março de 2019 pela Suprema Corte Britânica. O prejuízo estimado no processo foi de R$ 120 milhões referentes a 350 investidores.

O Ministério Público Federal indica que o dinheiro era captado através da Ecohouse Brasil Construções e desviado para gastos pessoais dos dois principais envolvidos, além de investimentos em outras empresas do grupo.

Pelo menos R$ 4 milhões foram gastos com o Alecrim Futebol Clube e também houve despesas com empresas de Anthony e Gabriela, como a QRV Segurança, o restaurante Liquid Lounge e a E H Negócios Imobiliários – essa última de fachada, sustenta a Procuradoria.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem busca contato com a defesa de Procuradoria denuncia e pede prisão de ‘Godfather’ por desvios de R$ 75 milhões de 2 mil investidores

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