Procuradoria denuncia Auricchio por 54% de caixa dois em São Caetano

Procuradoria denuncia Auricchio por 54% de caixa dois em São Caetano

Prefeito tucano do município da Grande São Paulo também é acusado por organização criminosa; ao lado do vice, Roberto Luiz Vidoski, e outros sete

Luiz Vassallo e Victoria Abel, especial para o Estado

12 Junho 2018 | 14h57

FOTO digital FILIPE ARAUJO/AE

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo denunciou o prefeito de São Caetano do Sul, José Auricchio Jr. (PSDB), o vice, Roberto Luiz Vidoski (PSDB), e outras sete pessoas por caixa dois e organização criminosa nas eleições de 2016. Os tucanos são acusados de se utilizar de pessoas físicas para disfarçar a origem de repasses para a campanha. Entre os supostos laranjas, uma ‘humilde’ pensionista do INSS cuja conta teria sido utilizada para movimentar R$ 1,4 milhão que abasteceu a campanha tucana.

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Documento

Segundo o procurador Pedro Barbosa Pereira Neto, o dinheiro passava por pessoas físicas para chegar ao diretório local do PSDB. A denúncia estima que 54% do montante arrecadado para a campanha eleitoral é proveniente de doações dissimuladas, o que coloca em xeque a própria legitimidade do pleito de 2016 no município.

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A denúncia dá conta de que a Globo Contábil e de seu proprietário Eduardo Abrantes se utilizavam de funcionários e de familiares para camuflar os recursos destinados à campanha.

“Entre os laranjas, constava pessoa sem nenhuma condição econômica de realizar doações milionárias, além de pessoa hospitalizada, que efetuaram transferências ao partido e à campanha eleitoral”, afirma a procuradoria, por meio de nota.

A principal conta bancária utilizada foi a de Ana Maria Comparini Silva, pessoa humilde e pensionista do INSS, pela qual transitou cerca de R$ 1,4 milhão, dinheiro que abasteceu direta ou indiretamente a campanha eleitoral e o partido.

Trata-se da mesma pessoa física que aparece como doadora da campanha do vereador Camilo Cristófaro (PSB), que teve na semana passada seu mandato cassado pela Justiça Eleitoral por captação ilícita de recursos financeiros durante as eleições.

Dentre outras, a maior depositante que abasteceu a conta de Comparini foi a empresa Almeida & Dale Galeria de Arte LTDA, tradicional galeria de artes localizada no bairro dos Jardins em São Paulo, que depositou mais de 500 mil reais, fato que revela o total desrespeito à proibição de financiamento empresarial, já que as pessoas físicas que figuraram como doadoras serviram como meras repassadoras de recursos.

A forma premeditada e estruturada como os crimes foram cometidos levaram a PRE-SP a atribuir delitos que podem resultar, em tese, a penas superiores a 30 anos de prisão, além de perda do cargo público, inelegibilidade e multas para os principais denunciados. Na denúncia, foi também pedida indenização material e moral no valor de R$ 6 milhões de reais.

Os fortes indícios de que a Justiça Eleitoral foi utilizada para lavagem de dinheiro fez com que a Procuradoria solicitasse instauração de inquérito policial para prosseguimento da investigação desse crime junto à Superintendência da Polícia Federal de São Paulo.

COM A PALAVRA, O VEREADOR CAMILO CRISTÓFARO

O gabinete informou que não irá se manifestar.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE SÃO CAETANO DO SUL

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Com relação à notícia, na data de hoje, de apresentação de denúncia pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo em face do prefeito José Auricchio Júnior, deve-se esclarecer que se trata de opinião do Ministério Público Federal, ainda pendente de apreciação pelo Tribunal Regional Eleitoral.
O prefeito está à disposição da Justiça Eleitoral para prestar todos os esclarecimentos necessários. Tem certeza da correção de sua conduta, confia na Justiça e acredita que os fatos serão elucidados.
Ricardo Penteado – advogado
Beto Vasconcelos – advogado

COM A PALAVRA, ALMEIDA DALE GALERIA

A empresa afirmou que não tem conhecimento da denúncia.