Procuradoria cobra suspensão de direitos políticos de Nelsinho Trad

Procuradoria cobra suspensão de direitos políticos de Nelsinho Trad

Senador eleito foi condenado por improbidade administrativa por placas de concreto supostamente usadas para autopromoção na época que exercia o cargo de prefeito de Campo Grande

Paulo Roberto Netto

25 Novembro 2018 | 07h00

O então prefeito de Campo Grande e hoje senador eleito Nelsinho Trad com o ex-presidente Lula durante solenidade de entrega do Premio Brasil Sorridente, no Palácio do Planalto. Foto: Ed Ferreira / AE

O Ministério Público Federal apresentou recurso pela reformulação da sentença que condenou por improbidade administrativa o senador eleito e ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PTB). O petebista é acusado de construir placas de concreto para promover sua própria imagem às custas dos cofres públicos.

Nelsinho Trad foi condenado a ressarcir o erário com a quantia usada na produção dos totens e pagar multa equivalente a oito vezes sua remuneração em novembro de 2012, quando ainda era prefeito de Campo Grande.

A procuradoria pede revisão da sentença e argumenta que a Lei de Improbidade Administrativa estipula cinco sanções de acordo com a gravidade do fato. Segundo o MPF, apesar das placas não terem sido usadas para proveito patrimonial, serviram para autopromoção pessoal e vantagem política indevida e, por essa razão, os direitos políticos do senador eleito devem ser suspensos.

“As edificações não trazem quaisquer outras informações relevantes permitidas pela Constituição; ao contrário, ostentam tão somente o nome do apelado e um número, em tamanho muito maior que a própria descrição da obra. Não há dúvida de que foram erigidas pelo apelado com o único intuito de enaltecer a sua pessoa”, alega a acusação.

A Procuradoria também pede majoração da multa para 20 vezes o valor da remuneração do ex-prefeito.

Nelsinho Trad foi prefeito de Campo Grande entre 2008 e 2012.

Em 2018, ele se candidatou ao Senado pela primeira vez e foi eleito com 424.085 votos.

A acusação apresentada pelo Ministério Público alega que o petebista mandou edificar quatro placas de concreto com o seu próprio nome e com o número ordinal da obra em quatro obras feitas pela Prefeitura de Campo Grande em parceria com a União.

Nos autos, a defesa alega que a construção das placas decorre da necessidade de prestação de contas à população.

COM A PALAVRA, NELSINHO TRAD

A reportagem entrou em contato com o escritório de advocacia que defende o senador Nelsinho Trad e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestações.