Procuradoria apresenta nova denúncia da Hashtag

Seis pessoas são acusadas na Justiça Federal, em Curitiba, de promoção de organização terrorista e associação criminosa

Julia Affonso e Ricardo Brandt

27 de junho de 2017 | 11h48

PF com um dos presos na Hashtag. Foto: MARIO ÂNGELO/Reprodução/SIGMAPRESS

O Ministério Público Federal, no Paraná, apresentou à Justiça nesta segunda-feira,m 26, a segunda denúncia criminal nas investigações da Operação Hashtag. São seis denunciados por suposto envolvimento nos crimes de promoção de organização terrorista e associação criminosa.

Documento

Danilo Francini dos Santos e Sara Ribeiro Martins foram acusados pelos crimes de promoção de organização terrorista e associação criminosa. Fernando Pinheiro Cabral pelo crime de associação criminosa, e Leandro França de Oliveira, Gilberto Gonçalves Ribeiro Filho e Mohamad Mounir Zakaria pelo crime de promoção de organização terrorista.

A denúncia mira pessoas que não foram alvo da primeira acusação, apresentada em 16 de setembro de 2016 – com exceção de Fernando Pinheiro Cabral que já foi condenado no processo anterior e segue preso por determinação da 14.ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Ele está sendo novamente denunciado em virtude de provas de cometimento de novos crimes.

A acusação da Procuradoria sustenta que a atuação dos denunciados se deu por meio de publicações em perfis do Facebook e também em diálogos realizados em grupos fechados da mesma rede social, além de diálogos em grupos fechados por meio do aplicativo Telegram.

“Em inúmeras ocasiões, os denunciados demonstraram devoção à organização terrorista afirmando, inclusive, intenção de ação terrorista no decorrer dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Nas redes sociais, ainda foram verificadas diversas postagens de apoio e exaltação ao grupo extremista, de incentivo à violência, bem como de cooptação de simpatizantes dos ideais extremistas do Estado Islâmico”, informou o MPF, por meio de nota.

Com a quebra dos sigilos de dados telemáticos e telefônicos, a apuração avançou culminando na apreensão de diversas mídias e equipamentos. Alguns dos denunciados foram alvos de medidas cautelares de busca e apreensão e condução coercitiva durante a fase ostensiva da operação, em 2016.

A análise de todo este material resultou na comprovação de que Leandro França de Oliveira, Gilberto Gonçalves Ribeiro Filho e Mohamad Mounir Zakaria atuavam intensamente na promoção dos graves atos por meio de contas nas redes sociais e diálogos com outros envolvidos na prática criminosa, segundo o MPF.

As investigações apontaram que Leandro mantinha vínculo com o já condenado na primeira ação penal decorrente da Operação Hashtag Leonid El Kadri Melo.

Tal relação foi comprovada quando este, através do perfil de usuário no Facebook “Abu Khalled El Kadri”, solicitou a Leandro um endereço de e-mail para enviar-lhe a missiva de convocação para compor célula do EI no Brasil.

Já o denunciado Gilberto manteve diversos diálogos com várias pessoas onde divulgou, promoveu, incitou e declarou apoio à organização terrorista Estado Islâmico. Em algumas de suas conversas Gilberto reforçou que concordava com a Matança de líderes e pessoas ligadas às chefias de Estado.

Quanto a Mohamad, ele chegou a ficar preso após a primeira fase ostensiva da operação e mantinha contato frequente com Leonid El Kadre de Melo, sendo inclusive apontado como uma espécie de mentor deste. Atualmente ele cumpre medidas cautelares diversas da prisão impostas pelo Juízo.

Juiz Marcos Josegrei. Foto: Geraldo Bubniak/Estadão

A denúncia será analisada pelo juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal, que condenou os acusados da primeira fase, usando pela primeira vez a Lei Antiterror brasileira.

Segundo grupo. As investigações da Hashtag identificaram  outras pessoas que teriam se associado para promover atos da organização terrorista. “Este segundo grupo era liderado por Fernando Pinheiro Cabral, e seria uma espécie de associação criminosa paralela à comandada pelo já condenado Leonid El Kadre de Melo, e contavam com a participação ativa de Sara Ribeiro Martins e Danilo Francini dos Santos.”

O papel de Sara, segundo o MPF, seria recrutar mulheres para formar uma célula do Estado Islâmico no Brasil. Em depoimento, quando foi alvo de condução coercitiva ainda em 2016, a denunciada afirmou que se considerava simpatizante do grupo terrorista Estado Islâmico, além de fazer parte de um grupo, que planejava a execução de atos terroristas.

Assim como Sara, Danilo também admitiu, em depoimento o contato constante com vários dos já denunciados e ratificou a vontade de ingressar no Estado Islâmico. Para promover os atos do Estado Islâmico, ele trocou diversas mensagens com outros apoiadores da causa extremista e que já foram condenados na primeira ação penal decorrente da Operação Hashtag.

Além disso, Danilo confirmou, em depoimento, ter comemorado em grupos virtuais os ataques terroristas do EI nos EUA e na França, achando correto o ataque ao Charlie Hebo, porque zombaram do Profeta, e o ataque de Orlando, porque os alvos eram homossexuais, pois, segundo a Lei do Estado Islâmico, os infiéis deveriam ser exterminados.

O denunciado afirmou ainda ter postado mensagens ensinando a fazer bombas e usar vidro para aumentar o poder de destruição, além de confirmar a autoria de todas as postagens na internet que estão contempladas.

 

Tudo o que sabemos sobre:

Operação Hahstag

Tendências: