Procuradoria aponta ‘fartos indicativos’ de propinas para Zelada

Procuradoria aponta ‘fartos indicativos’ de propinas para Zelada

Força-tarefa da Operação Lava Jato diz que na gestão do ex-diretor de Internacional da Petrobrás 'divisão de valores era como corretagem'

Redação

02 de julho de 2015 | 12h54

Jorge Zelada prestou depoimento à CPI da Petrobrás no Senado, em maio de 2014. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Jorge Zelada prestou depoimento à CPI da Petrobrás no Senado, em maio de 2014. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fábio Fabrini

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato, disse que existem ‘fartos indicativos’ de pagamento de propinas para o ex-diretor de Internacional da Petrobrás,Jorge Luiz Zelada, preso nesta quinta-feira, 2, no Rio.

“Em relação à Diretoria de Internacional temos fartos indicativos que ele (Zelada) recebeu valores pela celebração de contratos de aluguel de sondas”, declarou Carlos Lima. “Tínhamos há muito tempo indicativos de que essa área era muito importante para as investigações de corrupção. São valores que atingem de US$ 500 mil a US$ 1 milhão por dia e qualquer pequena variação mínima nos contratos em favor da outra parte significa a longo prazo muito dinheiro.”

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Zelada é o alvo da 15.ª fase da Lava Jato, denominada Conexão Mônaco, referência ao paraíso fiscal onde o ex-diretor mantinha quase onze milhões de euros em contas secretas. Em relação aos supostos objetos de corrupção envolvendo Zelada, o procurador da República disse.

“Temos algumas sondas específicas que a própria Petrobrás já indicou que o contrato possui uma série de irregularidades, singularidades que favoreciam extremamente a parte que estava contratando com a Petrobrás.”

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Duas contratações que o Ministério Público Federal menciona no pedido de prisão de Zelada são as dos navios-sondas Pride, em 2008, e Titanium Explorer, em 2009, via Diretoria Internacional. Pesa ainda contra o ex-diretor a suspeita de recebimento de propina referente a contratos de refinarias e gasodutos na Diretoria de Serviços.

“Temos um modelo de corrupção dentro da Petrobrás que ela se institucionalizou no que eles chamam de ‘Casa’. Uma divisão de propina muitas vezes pela simples celebração de negócios, como se fosse uma corretagem”, relatou o procurador.

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Dentro dessa frente, Zelada já era alvo das apurações desde que seu nome foi citado por dois delatores, entre eles o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco – braço direito do ex-diretor da área de Serviços, Renato Duque, cota do PT na estatal.

Para o MPF e a Polícia Federal, um dos indicativos de necessidade de prisão preventiva de Zelada foram as transferências feitas por ele de valores não declarados ao Fisco brasileiro da Suíça para o Principado de Mônaco, e de Mônaco para a China, ocorridas em 2014.

“É um dos motivos da prisão. Não só porque indica a continuidade do crime dede lavagem de dinheiro como tentativa de proteção desse valores de tentar impedir que a Justiça alcance.”

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