Procuradoria aponta 16 empreiteiras alvos de ‘clube’ do cartel

Procuradoria aponta 16 empreiteiras alvos de ‘clube’ do cartel

Primeiras cinco denúncias criminais da Lava Jato indicam que novos alvos serão acusados por crimes na Petrobrás

Redação

12 de dezembro de 2014 | 05h00

Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Julia Affonso

O Ministério Público Federal considerou ao todo 16 empresas como parte do suposto cartel formado para fraudar licitações, corromper agentes públicos e desviar recursos da Petrobrás, que se organizava em uma espécie de “clube”, com regras de “torneio” para fatiar obras públicas entre 2004 e 2012.

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“A partir do ano de 2006, admitiu-se o ingresso de outras companhias no denominado Clube, o qual passou a ser composto por 16 empresas”, sustentam as cinco denúncias contra 25 pessoas ligadas às seis primeiras denunciadas – Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior, Engevix, Galvão Engenharia e UTC Engenharia.

Outras empresas atuariam esporadicamente no “clube”, somando esse total a 22 empreiteiras que serão alvos das futuras denúncias do MPF. “Algumas outras empresas de fora do “clube” ainda participaram e venceram de forma esporádica determinadas licitações na Petrobrás, mediante negociação com o “clube”, informam as denúncias.

formação cartel

 

Além de haver um número maior de empresas alvo da Lava Jato, as empresas citadas nas denúncias divulgadas nesta quinta-feira, 11, serão ainda acusadas por outros crimes, como cartel, fraude em licitação e crime contra o sistema financeiro.

“Essas investigações se inserem dentro de um imenso esquema de corrupção. Dentro dele, empreiteiras se organizaram em cartel e em um clube para corromper funcionários públicos de alto escalão da Petrobrás. Eram pagos valores que correspondiam de 1% a 5% do valor total de contratos bilionários”, explicou o procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Lava Jato.

Para as denúncias, o MPF dividiu as acusações em três grandes grupos para indicar o fluxograma do esquema: o primeiro formado pelas empreiteiras, que formavam o cartel; o segundo de funcionários públicos da Petrobrás, nesse caso Paulo Roberto Costa; o terceiro dos operadores da lavagem de dinheiro, em que foi denunciado o núcleo coordenado por Alberto Youssef.

ESQUEMA DENUNCIAS ORG CRIMINOSA

Além das denúncias revelarem que outras 16 empresas estão na mira das novas denúncias da Lava Jato, há o apontamento dos outros grupos de operadores, que atingirá o lobista Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, que atuaria em nome do PMDB na Diretoria Internacional. Bem como outros ex-diretores, como Renato Duque, na Diretoria de Serviços pelo PT, e Nestór Cerveró, pela Internacional.

Em relação às empresas alvo do cartel, os procuradores apontaram nesta quinta-feira que parte do dinheiro da propina era referente a valores sonegados de tributos. Segundo o procurador Antônio Carlos Welter, as despesas da propina eram lançadas na contabilidade regular das empreiteiras.

“O que significa que o valor pago da propina era descontado da base de cálculo dos tributos. Em bom português, os valores eram pagos com o tributo que deixava de ser pago pelos contribuintes.”

COM A PALAVRA, A CONSTRUCAP

A Construcap informou que não faz parte de nenhum cartel. Em nota, a empresa esclareceu.

“A Construcap não integra e jamais integrou qualquer clube de empreiteiras ou cartel visando a obtenção de contratos com a Petrobrás. A Construcap é devidamente cadastrada na Petrobrás como fornecedora idônea do mercado há muitos anos. Todos os contratos da Construcap obtidos perante a Petrobrás foram objeto de licitações regularmente realizadas, conforme a lei. A Construcap mantém-se à disposição das autoridades para prestar qualquer informação.”

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