Procuradores saem em defesa da Lava Jato e de Janot

Procuradores saem em defesa da Lava Jato e de Janot

Em nota, seis entidades declaram apoio a Procuradoria-Geral da República que é alvo de críticas do ministro Gilmar Mendes no episódio envolvendo a empreiteira OAS e suposta citação a Dias Toffoli

Fábio Serapião, de Brasília

24 de agosto de 2016 | 15h27

BRASILIA DF 23/08/2016 POLITICA O Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovou moção de apoio ao trabalho realizado por Rodrigo Janot, presidente do CNMP e procurador-geral da República, e pelos procuradores integrantes da Força-Tarefa Lava Jato. A aprovação aconteceu nesta terça-feira, 23 de agosto, durante a 16ª Sessão Ordinária de 2016. A moção de apoio foi proposta pelo conselheiro do CNMP Antônio Duarte, após Rodrigo Janot se posicionar em relação a equívocos cometidos pela imprensa na cobertura das ações da Lava Jato. ?O Ministério Público tem uma atuação autônoma e independente. Não é influenciado por poder ou partido e só está do lado da verdade?, afirmou Janot. O conselheiro Antônio Duarte propôs a moção de apoio ?pela postura ética e responsável deste homem de bem que tem feito seu trabalho com a firmeza de um leão. É uma atuação exemplar para o Brasil?. Os conselheiros Marcelo Ferra, Walter de Agra, Sérgio Ricardo de Souza e Valter Shuenquener também fizeram uso da palavra, mostrando apoio a Janot e aos procuradores da Lava Jato. A Ordem dos Advogados do Brasil, representada por Erick Venâncio, manifestou seu apoio à moção. ?Total apoio à independência e autonomia do Ministério Público?, afirmou. O conselheiro Valter Shuenquener propôs moção de solidariedade ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A proposta foi acolhida pelo Plenário. FOTO Sérgio Almeida /Ascom/CNMP

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Foto: Sérgio Almeida /Ascom/CNMP

Um dia após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e a força-tarefa da Lava Jato serem alvos de duras críticas do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), a Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM) e a Associação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT) afirmaram apoiar os “excepcionais esforços e trabalho” da Procuradoria-Geral da República e da Lava Jato no combate à corrupção.

Com mais de 18 mil membros, as associações signatárias da nota publicada nesta quarta-feira, 24, representam todo o Ministério Público e defendem os trabalhos dos integrantes da força-tarefa da operação que, segundo a nota, vem levando com sucesso ao Poder Judiciário o maior esquema de corrupção já descoberto no País.

“A atuação do Ministério Público na Lava Jato tem sido técnica, completa, e, acima de tudo, republicana, avançando sempre em busca da elucidação dos fatos, sem escolher e sem evitar o envolvimento de quem quer que seja. O Brasil, com a força desse trabalho, um exemplo do que faz o Ministério Público de todo País, acredita mais e mais em vencer a impunidade”, aponta o texto divulgado pelas associações.

No texto, as entidades sustentam que as investigações contrariam interesses poderosos e quebram “paradigmas negativos” o que resulta em “injustiças” levantadas contra os investigadores. No entendimento das associações, as acusações lançadas à Lava Jato e ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, são “diretivas vagas e acusações vazias de pretensos abusos que raramente são especificados e não são confirmados pelo Poder Judiciário”. “Está à luz de todos que o trabalho na Lava Jato, em todas suas instâncias, é impessoal e abnegado, e distribuído por diversos órgãos do Estado, sempre em busca da Justiça”, segue a nota.

Sobre o suposto vazamento de informações da delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, à revista Veja, negado por Janot uma vez que, segundo o procurador-geral, não existe este anexo na proposta de acordo, as associações garantem que a Lava Jato e os investigadores ‘jamais’ usariam ou usaram “de semelhantes e ilegais expedientes”.

Para os signatários da nota, se esses abusos existissem, sendo os investigados defendidos pelas mais respeitas bancas criminais do País, “já há muito estariam revelados”.

A nota é assinada por José Robalinho Cavalcanti, da ANPR, Rinaldo Reis Lima, do CNPG, Ângelo Fabiano Farias da Costa, da ANPT, Norma Angélica Cavalcanti, da CONAMP, Elísio Teixeira Lima Neto, da AMPDFT, e Giovanni Rattacaso, da ANMPM.

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