Procuradores de 14 países vêm a Janot para tratar do escândalo Odebrecht

Procuradores de 14 países vêm a Janot para tratar do escândalo Odebrecht

Chefes dos Ministérios Públicos da República Dominicana e da Colômbia já anunciaram viagem ao Brasil para reunião com o procurador-geral da República nos dias 16 e 17; na pauta, as investigações envolvendo a atuação da empreiteira

Redação

09 de fevereiro de 2017 | 18h07

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

Os investigadores dos ministérios públicos de 14 países foram convidados pela Procuradoria-Geral da República para uma reunião a ser realizada nos dias 16 e 17 deste mês com o o procurador-geral da República Rodrigo Janot e a equipe da Lava Jato visando tratar das investigações envolvendo irregularidades da Odebrecht.  O objetivo é fazer um alinhamento, traçar estratégias comuns e facilitar a execução dos pedidos recebidos pelo Brasil

Até o momento, os procuradores da República Dominicana e da Colômbia já confirmaram presença no encontro. Foram convidados os seguintes países: Antigua e Barbuda, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Portugal, Peru, República Dominicana e Venezuela.

O evento é coordenado pela Associação Iberoamericana dos Ministérios Públicos

A programação é que no dia 16 será realizada uma reunião multilateral para tratar da Lava Jato como um todo e no segundo serão feitos encontros bilaterais com os investigadores de cada país para tratar dos pedidos de colaboração internacional e as investigações de cada caso específico.

A confirmação dos procuradores da Colômbia e da República Dominicana ocorre diante da leva de investigações sobre a atuação da Odebrecht na América Latina desde que veio à tona o relatório do Departamento de Justiça dos EUA feito a partir do acordo de colaboração da Odebrecht e da Braskem com os Estados Unidos, Suíça e Brasil e divulgado em dezembro do ano passado.

O relatório trazia um aviso sobre os tentáculos da corrupção promovida pela Odebrecht em diversos países do mundo e aponta que a Odebrecht e a Braskem teriam pago subornos de US$ 1 bilhão em países ao redor do mundo, sendo US$ 788 milhões somente em países da América Latina. No caso da Colômbia, segundo o documento, a construtora pagou propinas no valor de mais de US$ 11 milhões entre 2009 e 2014.

A procuradoria da Colômbia tem neste momento 11 investigações abertas sobre subornos do caso Odebrecht no país.

Além disso, pelo escândalo, até o momento foram detidas duas pessoas na Colômbia, o ex-senador Otto Bula e o ex-vice-ministro de Transporte, Gabriel García Morales.

O escândalo atingiu também a campanha eleitoral de Juan Manuel Santos, já que Bula disse em seu depoimento à procuradoria que entregou US$ 1 milhão a Roberto Prieto, gerente da campanha para a reeleição em 2014 do atual presidente colombiano através do empresário Andrés Giraldo.

Já em relação à República Dominicana, a empreiteira brasileira admitiu ter pago propinas de US$ 92 milhões no país ao londo de quase duas décadas. No acordo, a Odebrecht já se comprometeu a devolver às autoridades dominicanas US$ 194 milhões ao longo de oito anos.

Além desde dois países, a atuação da Odebrecht tem levado a vários desdobramentos pela América Latina e na última terça-feira, 7, o Ministério Público do Peru pediu a prisão do ex-presidente do país Alejandro Toledo, que governou o Peru de 2001 a 2006 e é acusado de receber US$ 20 milhões em propinas da empreiteira no período referentes a fraudes na licitação da Rodovia Interoceânica.

A Procuradoria acredita que Toledo cometeu os crimes de fraude de licitações, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. “As acusações são bastante graves e se forem aceitas poderá haver um pedido de prisão internacional”, afirmou Sánchez.

Toledo está na França e alega inocência. Ele é professor convidado na Universidade de Stanford, na Califórnia. No fim de semana, a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão em sua residência em Lima. O ex-presidente não deixou claro se pretende voltar ao Peru./ COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

 

 

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