Procuradores criticam ‘deturpação’ da Lava Jato

Procuradores criticam ‘deturpação’ da Lava Jato

Em nota, entidade dos investigadores sai em defesa dos membros do Ministério Público Federal que acusam Lula por corrupção e lavagem de dinheiro

Fausto Macedo e Julia Affonso

16 de setembro de 2016 | 09h14

Procurador Deltan Dallagnol. Foto: Rodolfo Buhrer/Fotoarena

Procurador Deltan Dallagnol. Foto: Rodolfo Buhrer/Fotoarena

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) manifestou repúdio sobre o que chamou de ‘deturpação’ das afirmações dos procuradores da República na Operação Lava Jato. Na quarta-feira, 14, o Ministério Público Federal denunciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua mulher, Marisa Letícia, e outros seis investigados por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Cumprindo legitimamente o dever e o direito de informar a população, a força-tarefa Lava Jato tão somente apresentou a acusação contra o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, dentre outros, como o fez em já numerosas outras ocasiões, sempre nos momentos nodais dos processos, nos quais impõe-se o esclarecimento à opinião pública”, apontou a entidade.

A nota é assinada pelo procurador regional da República José Robalinho Cavalcanti, presidente da ANPR.

“É sob o olhar de seu povo que se constrói um país realmente democrático. E para isso a liberdade de imprensa, o amplo acesso às informações e o livre debate público são essenciais. Entretanto, nesse contexto, não se configura legítima qualquer manipulação ou deturpação de frases ditas no exercício do dever de esclarecimento à população. Os procuradores da República foram didáticos e extensivos em sua exposição precisamente para que o entendimento da população sobre a denúncia fosse completo, podendo a partir daí terem o conhecimento para exercerem a cidadania e o senso crítico. Configura-se em discurso político e/ou em estratégia de defesa, sem compromisso com a verdade, deturpar falas dos Procuradores da República nesta ocasião.”

A entidade afirma que ‘a convicção da força-tarefa fundamenta-se em provas robustas reunidas em investigações sérias’.

As acusações do Ministério Público Federal se referem ao recebimento de vantagens ilícitas da OAS por meio da reforma do triplex 164-A, no Guarujá (SP), e o armazenamento de bens do acervo presidencial. Segundo a denúncia, Lula recebeu R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira.

Parte do valor está relacionada ao apartamento: R$ 1,1 milhão para a aquisição do imóvel, R$ 926 mil em reformas, R$ 342 mil para cozinha e imóveis, além de R$ 8 mil para eletrodomésticos. O armazenamento dos bens custou R$ 1,3 milhão.

A força-tarefa da Operação Lava Jato requereu o bloqueio de R$ 87 milhões dos denunciados na ação penal.

Segundo a ANPR, o Ministério Público Federal ‘apenas cumpriu sua obrigação constitucional’.

“O trabalho desenvolvido pelos procuradores da República na Operação Lava Jato é profissional, e republicano, além de submetido à contínua observância do devido processo legal, e estar sob supervisão do Poder Judiciário independente e técnico do País, em especial a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a quem cabe a análise do recebimento da denúncia”, afirma a entidade.

 

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