Procuradora sugere ‘mecanismos estruturantes’ entre Brasil e Suíça para sufocar corrupção

Procuradora sugere ‘mecanismos estruturantes’ entre Brasil e Suíça para sufocar corrupção

Em Brasília, na abertura de reunião entre procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato nos dois países, Raquel Dodge fala em 'expectativa positiva'

Redação

05 Dezembro 2018 | 05h00

Foto: Antonio Augusto Secom/PGR

05A procuradora-geral, Raquel Dodge, defendeu a criação de ‘mecanismos estruturantes’ entre Brasil e Suíça que possam não só combater, mas também evitar crimes como a corrupção e a lavagem de dinheiro. A afirmação foi feita na manhã desta terça, 4, na abertura do evento que reúne procuradores à frente da Operação Lava Jato nos dois países. A reunião de trabalho seguirá até quinta, 6. Na abertura da reunião, além dos procuradores, estavam representantes da Embaixada da Suíça.

Organizado pela Secretaria de Cooperação Internacional (SCI), o evento tem o objetivo de fortalecer relações de cooperação entre o Ministério Público Federal brasileiro e autoridades suíças para o intercâmbio de informações.

O país europeu é, atualmente, o principal parceiro do Brasil, sobretudo na recuperação de recursos desviados dos cofres públicos brasileiros. Os investigadores brasileiros já apresentaram 95 pedidos de cooperação às autoridades suíças.

Raquel destacou a ‘expectativa positiva’ em relação à reunião técnica.

Segundo ela, a troca de informações entre os Ministérios Públicos resultará não só em cooperação para os casos pontuais de corrupção e lavagem de dinheiro que envolvem investigações nos dois países, mas também possibilitará a criação de mecanismos estruturantes, como uma legislação mais solidificada, que impeça o trânsito ilícito de verbas públicas entre os países.

“Ao Ministério Público brasileiro interessa punir os infratores dos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado já minimamente desvendados, mas sobretudo, interessa que este tipo de conduta seja peremptoriamente desestimulada pela atuação da Justiça e também pelo desenho das políticas públicas”, reforçou a procuradora-geral.

Sobre a metodologia de trabalho, Raquel afirmou que o objetivo de reunir os procuradores que estão à frente das investigações foi ampliar a comunicação e facilitar o diagnóstico de prioridades.

Ela destacou que todas as investigações em curso nos quatro núcleos de investigação em operação no Brasil ( Paraná, Rio, São Paulo e PGR) ‘são igualmente importantes e nem sempre é fácil definir qual dos pedidos de cooperação terá preferência’.

“Imaginamos que era melhor aproximar as equipes para que elas próprias estabeleçam as suas prioridades”, disse.

Raquel enfatizou que a reunião também representa ‘uma oportunidade para que seja discutido um formato de trabalho de equipes de investigação conjunta na perspectiva de trazer resultados mais rápidos e efetivos para as apurações em andamento nos dois países’.

O embaixador suíço, Andrea Semadeni, destacou ‘a importância da reunião de trabalho e da cooperação bilateral já estabelecida entre os países’.

Semadeni enfatizou a disposição das autoridades suíças em colaborar com o avanço das investigações conduzidas pelos ministérios públicos brasileiro e suíço.