Procurador sugere ‘olhar exemplo de Bucareste’ para esvaziar prisões da Lava Jato

Procurador sugere ‘olhar exemplo de Bucareste’ para esvaziar prisões da Lava Jato

Ao comentar declarações do ministro Gilmar Mendes, que criticou as detenções 'alongadas' da Operação, Carlos Fernando Lima disse esperar que Supremo mantenha de pé os decretos de custódia, inclusive o do ex-deputado Eduardo Cunha

Valmar Hupsel Filho e Daniel Weterman

09 de fevereiro de 2017 | 12h26

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Protestos contra a corrupção em Bucareste. Foto: Reuters

O procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, sugeriu nesta quinta-feira, 9, que talvez fosse o caso de o País ‘olhar o exemplo de Bucareste’ – em resposta às críticas do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, para quem o prazo das prisões decretadas em primeira instância de acusados na Operação tem sido muito ‘alongado’.

“Talvez devêssemos olhar o exemplo de Bucareste, na Romênia, onde o governo tentou descriminalizar a corrupção sob o falso pretexto de liberar espaços em prisões e diminuir a população carcerária”, disse o procurador.

O País europeu tentou livrar políticos que receberam ou recebem propinas em valor equivalente a até R$ 150 mil, mas recuou ante a multidão que tomou as ruas de Bucareste para protestar contra a medida.
“As prisões da Lava Jato são pedidas pelo Ministério Público, deferidas por um juiz de primeiro grau e essa decisão se submete a recursos sucessivos. Elas têm sido mantidas não só no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, mas também no Superior Tribunal de Justiça e agora está em análise no STF”, argumenta o procurador que, nesta quinta, participou em São Paulo de um debate sobre o pacote anticorrupção na Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).

Carlos Lima disse ‘acreditar’ que a Corte máxima mantenha as prisões expedidas em instâncias inferiores, inclusive a que pesa contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ) – preso por ordem do juiz federal Sérgio Moro desde outubro de 2016.

“As prisões são necessárias e acreditamos que o STF vai mantê-las”, disse o procurador quando questionado sobre o julgamento da prisão de Cunha, que pode entrar na pauta do Supremo ainda nesta quinta, 9.

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