Procurador rechaça ‘visão míope de veneração à figura política que foi Lula’

Procurador rechaça ‘visão míope de veneração à figura política que foi Lula’

Maurício Gerum, acusador do ex-presidente no Tribunal da Lava Jato, sustenta que 'análise técnica e isenta da prova dos autos' leva à conclusão de que petista deve ser condenado no caso triplex

Ricardo Brant, enviado especial a Porto Alegre, Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

24 Janeiro 2018 | 09h55

Foto: Reprodução da transmissão ao vivo pelo canal de Youtube do TRF-4

O acusador de Lula no Tribunal da Lava Jato, Maurício Gotardo Gerum – procurador regional da República da 4.ª Região -, defendeu, durante sua sustentação oral na sessão que julga recurso do ex-presidente contra sentença no processo do triplex, que a ‘análise técnica e isenta da prova dos autos’ leva à conclusão de que o petista deve ser condenado.

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O integrante do Ministério Público Federal, que saiu em defesa da sentença do juiz Sérgio Moro – que impôs pena de 9 anos e seis meses a Lula, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro – atacou mais de uma vez o que chamou de ‘visão que se faz miope pela veneração à figura política que foi Luiz Inácio Lula da Silva’.

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“Não é porque se trata de um ex-presidente que só vamos aceitar como prova a escritura assinada ou o recibo da corrupção com firma reconhecida em cartório”, afirmou.

Gerum ainda disse que as provas contra o ex-presidente já eram ‘suficientemente robustas’ para comprovar a corrupção, e foram fortalecidas com o depoimento do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro. Ele mencionou uma frase do empreiteiro.

“O apartamento era do presidente Lula desde o dia que me passaram para estudar empreendimentos da bancoop. já foi me dito que era do presidente lula e sua família, que eu não comercializasse”, disse Pinheiro, também condenado neste processo, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro.

Inconformado com a pena de 9 anos e 6 meses de prisão imposta pelo juiz federal Sérgio Moro, o ex-presidente recorreu ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, a Corte de apelação da Lava Jato. Ele nega ser dono do imóvel do Guarujá, que é visto pelo magistrado, em sentença de julho de 2017, como propina de R$ 2,2 milhões da empreiteira OAS.

No início da sessão desta quarta-feira, 24, o presidente da 8ª Turma do TRF-4, Victor Laus, concedeu questão de ordem à defesa do ex-presidente para que sua fala fosse a última entre os advogados.

Em seguida, foi passada a palavra ao relator do processo, João Pedro Gebran Neto, que leu o resumo da sentença de Moro e dos pleitos das defesas e do Ministério Público Federal até às 9h14 da manhã.

Após sustentação oral do procurador da República, o assistente da acusação, o famoso jurista René Ariel Dotti, se pronunciou em nome da Petrobrás.
“O movimento agora é a luta contra a corrupção”, disse René Dotti. “Há uma esperança da Petrobrás e uma esperança do Brasil.”

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