Procurador que tiver menos votos não terá condições políticas de dirigir MP, diz Marrey

Lilian Venturini

01 de abril de 2014 | 15h39

Em entrevista para a TV Estadão, o candidato a procurador-geral de Justiça (PGJ) de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, defendeu atuação mais incisiva do Ministério Público nos problemas de criminalidade e segurança em São Paulo e que o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), escolha o candidato com mais votos no pleito.

“Creio que um procurador-geral em exercício, se perder a eleição, não terá condições políticas de dirigir o MP no próximo biênio, portanto gostaria de ganhar a eleição e ser nomeado procurador-geral”, afirmou Marrey se referindo ao atual procurador-geral, Márcio Fernando Elias Rosa, que ficou em segundo lugar na eleição de 2012, mas foi escolhido por Alckmin.

Na eleição do MP, forma-se uma lista tríplice dos candidatos mais bem votados que é encaminhada ao governador do Estado. Ele, por sua vez, escolhe qual será o procurador-geral de Justiça no próximo biênio. Como na eleição deste ano só estão disputando dois procuradores, será formada uma lista dupla.

Marrey aproveitou também para criticar a atuação do atual PGJ nos problemas de violência do Estado. “Creio que o atual procurador-geral não aborda nenhum dos assuntos (de segurança) publicamente, não sei se ele tem receio de desagradar, mas o fato é que o MP precisa abordar os assuntos difíceis, se um lado teve queda de homicídio, do outro lado tem aumento de roubos e latrocínios e nos preocupa muito o alto índice de impunidade.” afirmou.

Veja trechos da entrevista à TV Estadão:

Elias Rosa é o atual procurador-geral, que se desincompatibilizou do cargo no início de março para concorrer novamente ao comando do Ministério Público paulista. A eleição está marcada para este sábado, 5. Marrey, representante da oposição, já chefiou a instituição por três vezes (de 1996 a 2000, em dois mandatos, e de 2002 a 2004).

A votação segue o modelo da Justiça Eleitoral, em urna eletrônica. O resultado é conhecido em cerca de 3 minutos. O colégio eleitoral é formado por 1.720 promotores e 300 procuradores.

É o maior e mais importante Ministério Público Estadual do País, com orçamento de R$ 1,7 bilhão. O chefe da instituição tem a incumbência de investigar deputados, prefeitos e até governador, em caso de improbidade administrativa.