Procurador do Rio preso por propina nas obras do Metrô vai para Complexo Gericinó

Procurador do Rio preso por propina nas obras do Metrô vai para Complexo Gericinó

Renan Saad, capturado na manhã desta segunda, 1, sob suspeita de receber R$ 1,2 milhão da Odebrecht, vai ficar na cadeia onde estão os presos da Lava Jato

Roberta Jansen/RIO

01 de julho de 2019 | 11h57

Complexo de Gericinó. Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

O procurador do Estado Renan Saad foi preso na manhã desta segunda-feira, em casa, em São Conrado, na zona sul, e levado para a sede da Polícia Federal. A prisão foi feita no âmbito do operação Lava Jato no Rio. Saad é suspeito de receber R$ 1,2 milhão em pagamentos de propina da Odebrecht para alterar o traçado das linhas de metrô do Rio, beneficiando o esquema do ex-governador Sérgio Cabral.

A Polícia Federal cumpriu também dois mandados de busca e apreensão na residência de Saad e em seu escritório, no Centro. Depois de prestar depoimento à PF, o procurador será levado para o Complexo de Gericinó, em Bangu, onde estão os presos da Lava Jato.

Segundo a investigação, o procurador referendou a alteração de um contrato de construção da linha 4 do metrô sem que houvesse a necessidade de uma nova licitação. A alteração elevou o valor da obra em, pelo menos, 11 vezes. O projeto, orçado originalmente em R$ 880 milhões, em 1998, acabou custando aos cofres públicos R$ 9,6 bilhões. A linha 4, que liga a zona sul à barra, na zona oeste, ficou pronta para os Jogos Olímpicos de 2016.

Originalmente, a linha 4 chegaria à Barra passando por Humaitá, Gávea e São Conrado. As mudanças avalizadas pelo parecer de Saad, no entanto, autorizaram a alteração desse trajeto, passando por Ipanema e Leblon, o que demandou o uso de uma nova metodologia de obra.

Os pagamentos foram operacionalizados por meio do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, que era responsável pelo repasse de propinas. Os repasses a Saad, que era identificado como ‘Gordinho’, foram transferidos entre 2010 e 2012.

COM A PALAVRA, RENAN SAAD

A reportagem fez contato com o escritório do procurador Renan. O advogado Gabriel Saad informou que a defesa do procurador vai se manifestar após se interar sobre o caso. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, A PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

“A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) informa que já apura o caso
internamente para a adoção das medidas disciplinares cabíveis e que colabora de modo pleno
com as investigações do Ministério Público Federal para a apuração dos fatos levantados pela
Lava Jato no Rio de Janeiro. A PGE-RJ informa ainda que os fatos dos quais o procurador é
acusado remontam ao período em que ele estava lotado como assessor jurídico chefe da
Secretaria de Estado de Transportes (SETRANS), nomeado na gestão do ex-governador Sérgio
Cabral, cargo do qual foi exonerado em junho 2012.”

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