Procurador do mensalinho atribui seu ‘calvário’ a relação com Raquel

Procurador do mensalinho atribui seu ‘calvário’ a relação com Raquel

Procurador denunciado por receber mesada de R$ 50 mil da JBS diz que Rodrigo Janot atuava de 'forma política'

Thiago Faria

17 de outubro de 2017 | 15h37

Procurador Auxiliar na Procuradoria Geral Eleitoral/PGE, Ângelo Goulart Vilela FOTO Luis Macedo/Agencia Camara

O procurador Ângelo Goulart Villela disse, nesta terça-feira, 17, não ter ‘dúvidas’ de que a proximidade dele com a nova procuradora-geral da República Raquel Dodge foi a razão de seu ‘calvário’. Ele foi denunciado pelo ex-chefe do Ministério Público Federal Rodrigo Janot pelo suposto recebimento de uma mesada de R$ 50 mil à época em que integrava a força-tarefa da Greenfield para vazar informações à JBS, alvo da operação. As declarações foram feitas em seu interrogatório na CPMI da JBS, no Congresso.

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“Não tenho dúvida de que o calvário que eu fui submetido tenha a ver com uma suposta relação de proximidade que me foi imputada em relação a ela (Raquel Dodge)”, disse.

O procurador voltou a acusar Janot de atuar politicamente ao assinar o acordo de delação premiada com executivos do grupo J&F. Segundo ele, o objetivo do ex-procurador-geral era que a delação provocasse a queda do presidente Michel Temer do cargo, evitando, assim, que ele nomeasse Raquel Dodge como chefe da Procuradoria-Geral da República, o que acabou ocorrendo.

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“Não há a menor chance de o Rodrigo Janot não ter atuado de forma política, sem entrar no mérito da procedência da denúncia, para impedir que o presidente da República deixasse de indicar a dra. Raquel Dodge. E para isso ele precisava derrubar o presidente”, disse Villela. “Ele (Janot) sempre diz que tinha um crime em andamento, por isso tinha que dar a imunidade. Mentira. A pressa tinha outro motivo.”

Patmos. Goulart foi preso no dia 18 de maio, data da Operação Patmos. Ele foi flagrado em ação controlada da Polícia Federal sobre os delatores da JBS. Em áudio gravado em encontro às escondidas entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer o executivo menciona que estava pagando uma mesada a um integrante do Ministério Público Federal.

“Eu consegui um procurador dentro da força tarefa, que também tá me dando informação e eu lá que eu tô pra dar conta de trocar o procurador que tá atrás de mim. Se eu der conta…tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal e o lado ruim é que se vem um cara com raiva ou com não sei o que…”, disse Joesley a Temer.

Ele também foi gravado e fotografado pelo executivo da JBS Francisco de Assis e Silva em jantar na casa do advogado Willer Tomaz, acusado de cooptar o procurador ao esquema que envolvia vazamento de informações privilegiadas.

Na CPMI, o procurador Ângelo Goulart Villela afirmou que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot ‘falseou a verdade’ ao incluí-lo no que chamou de “trama” da delação premiada da empresa.

“Eu tinha atribuição desde o princípio para atuar no caso Eldorado (empresa do grupo J&F), tinha autonomia. O fato de ter que conversar com o coordenador da força tarefa não exime a minha atribuição para atuar”, afirmou Villela, que citou declarações de Janot de que ele teria atuado por conta própria. “Houve por parte do ex-procurador-geral (Rodrigo Janot) uma tentativa de falsear a verdade”, disse Villela.

“Se eu era um procurador infiltrado, ou seja, trabalhando para eles, como eu poderia estar embaraçando uma colaboração que seria benéfica a eles? Eu preciso fazer uma ginástica interpretativa para entender isso”, disse

 

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