Procurador do Estado pegou propinas de R$ 1,265 mi em obras do Metrô do Rio, diz Lava Jato

Procurador do Estado pegou propinas de R$ 1,265 mi em obras do Metrô do Rio, diz Lava Jato

Renan Saad, preso pela Polícia Federal na manhã desta segunda, 1, teria recebido pagamentos da Odebrecht em troca de parecer favorável à alteração das obras da Linha 4 que beneficiaria a organização criminosa liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral

Pepita Ortega

01 de julho de 2019 | 11h38

Metrô do Rio. Foto: Arquivo / Agência Brasil

O procurador do Estado do Rio Renan Saad, preso pela Polícia Federal na manhã desta segunda, 1, em desdobramento da Operação Lava Jato, recebeu pagamentos de R$ 1,265 milhão da Odebrecht relacionados à obra da Linha 4 do Metrô, indica a Procuradoria da República no Rio.

Segundo o Ministério Público Federal, Renan teria praticado ‘atos de ofício em favor das construtoras responsáveis pela linha’, especialmente em relação à mudança do traçado original do metrô e viabilização do pagamento de uma tuneladora, equipamento conhecido ‘tatuzão’.

As obras da Linha 4, que liga a zona sul à região da Barra da Tijuca, foram idealizadas em 1998 e retomadas pelo ex-governador Sérgio Cabral em 2009, após a escolha do Rio como sede Olimpíada de 2016. O custo das obras, inicialmente orçado em R$ 880 milhões, foi reajustado para R$ 9,6 bilhões, indicou a Procuradoria.

O Ministério Público Federal chegou até o R$ 1,2 milhão após localizar, em uma empresa de manutenção de depósito de documentos contratada pela transportadora Transexpert, registro de pagamento realizado no endereço do escritório de advocacia de Renan Saad.

Perfurador do metrô no Rio. Foto: Metrô linha 4 / Agência Brasil

O local foi alvo de uma das ordens de busca e apreensão cumpridas na manhã desta terça, 1, e já havia sido mencionado na delação do ex-diretor de contratos da Odebrecht Marcos Vidigal do Amaral como endereço de entrega de propina. Agentes também realizaram buscas na casa de Saad.

A apuração observou que Saad era tratado como ‘Gordinho’ no sistema Drousys, destinado para a programação e execução das comunicações internas da Odebrecht relacionadas ao pagamento de propina.

Nove pagamentos feitos pela empreiteira ao procurador foram identificados pela procuradoria. As operações foram realizadas entre 2010 e 2012:

  1. 10/09/2010 – R$ 185.000,00;
  2. 24/09/2010 – R$ 100.000,00;
  3. 04/11/2010 – R$ 90.000,00;
  4. 01/12/2010 – R$ 90.000,00;
  5. 08/07/2011 – R$ 400.000,00;
  6. 06/10/2011 – R$ 100.000,00;
  7. 30/11/2011 – R$ 100.000,00;
  8. 16/02/2012 – R$ 100.000,00;
  9. 18/04/2012 – R$ 100.000,00.

De acordo com a Procuradoria, a prisão temporária de Saad foi deferida por causa da necessidade se colher depoimentos de pessoas subordinadas ao procurador para apuração dos crimes de pertencimento à organização criminosa e lavagem de dinheiro por intermédio do escritório de advocacia do investigado.

A investigação é decorrente de colaboração premiada de executivos da Odebrecht, informou o Ministério Público Federal.

Em delação, o ex-diretor de contratos da empreiteira Marcos Vidigal do Amaral indicou que o procurador do Estado da Secretaria de Transportes teria exigido um pagamento de R$ 300 mil para produzir um parecer para a retomada das obras da Linha 4 no Rio.

Segundo a Polícia Federal, tal documento seria favorável a alteração das obras do Metrô.

O delator apontou ainda que o valor foi entregue em escritório do procurador localizado na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio. Segundo Amaral, a Odebrecht, a Queiroz Galvão e a Carioca realizaram o pagamento, proporcionalmente.

Na primeira, a liberação foi feita pelo Setor de Operações Estruturadas, indicou o ex-diretor da empreiteira.

COM A PALAVRA, RENAN SAAD

A reportagem fez contato com o escritório do procurador Renan. O advogado Gabriel Saad informou que a defesa do procurador vai se manifestar após se interar sobre o caso. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, A PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

“A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) informa que já apura o caso internamente para a adoção das medidas disciplinares cabíveis e que colabora de modo pleno com as investigações do Ministério Público Federal para a apuração dos fatos levantados pela Lava Jato no Rio de Janeiro. A PGE-RJ informa ainda que os fatos dos quais o procurador é acusado remontam ao período em que ele estava lotado como assessor jurídico chefe da Secretaria de Estado de Transportes (SETRANS), nomeado na gestão do ex-governador Sérgio Cabral, cargo do qual foi exonerado em junho 2012.”

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